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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Sucata ou material?

Quando comecei a trabalhar com o grupo Progettoqualegioco, no fim de 2006, tinha chegado há apenas 2 meses na Itália e era tudo muito novo pra mim. Confesso que passei um tempão até conseguir compreender a diferença fundamental entre a metodologia que eles propunham e aquela com que estava acostumada a trabalhar no Brasil.

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Ou seja, que a “cultura do re-uso” obriga a repensar todo o processo de existência dos objetos na sociedade: cada “coisa” tem um nascimento, uma vida e uma morte e o fato de ser re-inserida no processo de significados sociais através de uma ou várias transformações  quer dizer exatamente uma re-colocação, um novo investimento em algo que tinha perdido seu valor social.

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Trocando em miúdos, a garrafa pet que tinha sido jogada no lixo estava “morta”, seria apenas um dado estatístico na preocupante produção de lixo mundial (um lixo que pode nos   soterrar daqui a alguns anos). Recuperada, lavada, cortada em modo interessante e oferecida às crianças de forma  instigante essa garrafa pode re-encontrar suas características iniciais como material, o que significa entrar novamente no ciclo de significados sociais, até vir a ser revigorada numa obra criativa que torna difícil identificar o objeto garrafa de origem.

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A metodologia de Progettoqualegioco em síntese é esta:  coletar a sucata doméstica e industrial e re-significá-la como material, pra depois (e só depois) colocá-la a disposição das crianças pra criar e brincar. Notem essa passagem interessante: o educador realiza uma primeira transformação na sucata, ANTES de oferecê-la às crianças. Quando chega a elas, então, não é mais sucata, mas o material de origem, revigorado e embelezado, que provocará e estimulará o ato criativo.

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O trabalho do educador prevê todo um estudo dos materiais, pesquisa, coleta seletiva, organização do depósito, recortes, colocações, etc, ações complementares que tem a ver com Estética, com Design, com oficina e com ato criativo. Os resultados dessa delicada operação são impressionantes. As obras que as crianças produzem não são apenas “pedaços de sucata grudados uns aos outros” pra formar um objeto, mas verdadeiras obras de arte.

Continuo colaborando com o grupo e a cada dia aprendo mais. Pra quem se interessar, estão disponíveis diversos formatos de consultoria a distância, em português. Seja pra aprender a coletar e a organizar o material, até sobre a metodologia das oficinas. Basta entrar em contato no site que linkei acima.

_Claudia_

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O brinquedo simples

Cuidado que está acontecendo uma coisa: com o advento de projetos elaboradíssimos de sucata, baseados na metologia de Re Mida de Reggio Emilia (que já chegou aí no Brasil) , usando sucata industrial e instrumentos específicos, a atividade de construir brinquedos de sucata corre o risco de virar (mais um!) método pedagógico. Ou pior: (mais uma!) moda educacional.

Os adultos (marketeiros da infância em primeiro lugar, alguns pedagogos idem) a-do-ram fazer isso.

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Enquanto o X da questão desse projeto está em aproveitar o que tem de disponível no ambiente pra criar. Coisa que os meninos fazem naturalmente. O pedacinho de pau caído a esmo, a folha, as pedrinhas, o rolo de papel higiênico, o sabugo de milho… Tá bem, dá pra desenvolver um monte a partir de materiais descartados e Re Mida ensina como elevar à décima potência isso, principalmente a transformar sucata (o feio, o sujo, o descartável) em material (realçando suas formas, sua beleza, suas possibilidades). Mas vamos com calma. Não esqueçamos o fundamental.

Porque a invenção mora no mínimo.

_Claudia_

 
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