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terça-feira, 12 de maio de 2009

Amarrações


O cadarço é ou não é um ícone da infância? Pena esteja perdendo espaço para os tênis de velcro. Domá-lo é uma das grande conquista dos pequenos que dá uma autonomia danada. Circulam várias estórias para ajudar as crianças a guardar a ordem dos movimentos. Faça duas orelhas de coelho ou uma árvore e um esquilo para passar por baixo...
E amarrá-lo na canela pro tênis não voar junto com a bola? Parece que essa foi uma solução pros enormes cadarços do Kichute. Não sei se é verdade, mas a solução foi prontamente adotada pela meninada, de kichute ou não. No site da empresa há várias demostrações de amarrações com nomes bem divertidos: volta ao mundo, orelha e bigode de coelho e por aí vai...Nesse outro, 15 amarrações diferentes e aqui, 31!!!

Aqui você pode aprender o nó perfeito: bonito e seguro. Quero ver se ele resolve o problema do cadarço do all star, que não pára de jeito nenhum.

E eu que achava que já tinha aprendido a amarrar os meus sapatos!
_Cibbele Carvalho_

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Guarda-roupas e armários


foto minha

Quando damos aos objetos a amizade que convém, não abrimos o armário sem estremecer um pouco. Sob sua madeira ruiva, o armário é uma amêndoa muito branca. Abri-lo é viver um acontecimento de brancura. Gaston Bachelar

O lugar onde eu mais gostava de me esconder era no armário do meu irmão. Atrás das calças dependuradas no calceiro, eu me esquecia de mim, cercada pelo cheiro das roupas passadas e organizadas. O guarda-roupa da minha infância não tinha cheiro de passe bem, nem de lavanda, nem de naftalina. Tinha cheiro de madeira e de gente.

A Lúcia, por exemplo, foi se esconder num guarda-roupa que não era da casa dela e parou em outro mundo. Já a minha afilhada Ana Luisa, ficou com medo do guarda-roupa da casa da minha mãe e me fez me esconder de novo ali com ela fortemente abraçada ao meu pescoço.

Os guarda-roupas são órgãos vitais numa casa. Neles guardamos nossas intimidades e nossas memórias-gavetas. Os armários das crianças possuem particularidades_ São sempre povoados por roupas de uma só primavera. Contra o tempo e o crescimento acelerado delas, as barras sobem e descem e os joelhos ganham remendos. As costureiras que se dedicam a reformar roupas (profissionais quase tão raras quanto os ambulantes amoladores de facas), são grandes amigas da infância. Às vezes, as crianças se apegam a alguma peça (ou circunstância) que não lhes cabe mais. Usam assim mesmo, acima das canelas ou mostrando o umbigo. Até que chega uma hora em que não tem mais jeito, é preciso mudar de casca.

Alguns pavores das crianças : roupa nova e roupa de irmão mais velho. Roupa nova porque etiqueta espetando e experimentar são duas coisas chatas demais. Roupa do irmão mais velho porque dificulta a árdua tarefa que é se diferenciar do maior e porque até que de vez em quando, roupa nova é bom...mesmo com etiqueta espetando e tendo de experimentar. Ah, e quando dois irmãos são igualmente vestidos? Eu não gostava...
Se bem que às vezes, surrupiar a roupa do mais velho só pra ter o gostinho de ser maior pode ser providencial (ver o conto "Os Quedes Vermelhos da Tchi", do já aqui exaustivamente citado, Ondjaki). E passar horas desfilando com as roupas e os sapatos da mãe? A minha vivia cheia de anéis que ela retirava cuidadosamente antes de cozinhar e guardava em cima da pia de mármore branco. Eu gostava de subir num banquinho feito pelo meu avô e experimentá-los nos meus dedos, mesmo sabendo que ainda não me serviam. Nem só de tempo encurralado vive a infância.

Desconfio que as crianças que andam muito na moda, que seguem a efemeridade da moda e obedecem à risca os símbolos adultos, não poderão brincar com o tempo e talvez deixem escapar pra sempre a chance de se perder entre casacos e se achar coroada _ a destemida.
_Cibbele Carvalho_

sexta-feira, 20 de março de 2009

Com que roupa eu vou, na festa que você me convidou

As roupas são, pois, uma forma de memória, mas elas são também pontos sobre os quais nos apoiamos para nos distanciar de um presente insuportável: o presente da infância, por exemplo, quando somos protegidos (eu colocaria aspas na última palavra_ Pitaco Quintarola.) pelos nossos pais. E me lembro de Jen White me falando sobre um par de sapatos que seus pais compraram para ela ir á escola. Sapatos práticos, bons, mas com os quais você tinha vergonha de ser visto. É difícil avaliar seriamente, de forma suficiente, a agonia desses momentos, a raiva, o sofrimento, o desespero. Uma identidade demasiadamente visível está lá, nos seus pés, fazendo troça de você, humilhando você. Pois você foi fabricado, produzido por um outro, colocado na libré de uma dependência abjeta...
(Stallybrass, Peter _ O Casaco de Marx – roupas, memórias, dor_ Ed. Autêntica)

Quem convive com criança já viveu o dilema: decidir o que vestir numa criança, enquanto ela se rebela frente ao guarda-roupa . Quem não convive com crianças pode se lembrar de pelo menos uma cena em que se sentiu mal dentro da roupa escolhida pelo adulto. De um sapato apertado ou talvez das sempre herdadas roupas do irmão mais velho.

Ao escolher o que vestir na criança, o adulto escolhe o papel que ela deve desempenhar. O adulto se projeta na roupa do filho. Algumas crianças andam verdadeiramente fantasiadas: Vestidos impecavelmente engomados e rodados como os de outrora? Saias curtas e saltinhos? Gravatas e suspensórios? Corte de cabelo skatista (ainda existe esse?)? Há grande sorte de personas e de certa forma não há como abrir mão delas. Vestir-se de silêncio deve ser impossível. Até a roupa branca ou o nu enunciam alguma coisa.

Alguns critérios ao escolher o que vestir são objetivos: O orçamento, os hábitos da criança levando-se em conta o conforto e a praticidade, o clima onde mora, algumas convenções sociais imprescindíveis. Esses são de competência do adulto. O problema é que mesmo nós temos tido problemas com esses limites. Compramos mais do que precisamos e abrimos facilmente mão do conforto.

Mas há critérios subjetivos. As crianças também constroem identidades e as comunicam através das roupas. E alguns desses significados escapam aos adultos ou são simplesmente atropelados pela necessidade adulta de se construir socialmente através do filho.

Lembro-me dos primeiros dias de aula da minha filha em sua escola atual. Eu insistia para que ela usasse tênis. Na minha opinião, era mais seguro para brincar. Ela insistia em ir de chinelo. Chegando lá vi que todas as outras crianças chegavam de chinelo e o deixavam num canto da sala para ficarem descalças a tarde toda. De tênis, ela deixava evidente o que queria apagar: a sua condição de novata.

É evidente a projeção nas meninas vestidas de “peruinhas”, contudo, não nos enganemos os “modernos” e descolados. É natural que as crianças experimentem diversos papéis (sobre isso, fala muito bem a Mani). E vestir a criança de alternativa, quando muitas vezes ela prefere se incluir e não se rebelar, é tão violento quanto.
Por último, há algumas heranças da cultura vestuária infantil, quase sempre adaptações aos uniformes escolares, que são geniais: sandália com meia, blusa de manga comprida debaixo da blusa de manga curta, combinações inovadoras de estampas, são algumas que me veem à cabeça agora.
A combinação da foto, pro meu gosto digna de qualquer fashion week kids, foi feita por uma criança sem interferência de adulto.
Cibbele Carvalho

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Mineiridade

Pois é, Paula, eu estava justamente pensando sobre a poética mineira quando me deparei com o site do Ronaldo Fraga para os pequenos . Ele é ou não é um estilista que carrega um quintal imenso?
_Cibbele Carvalho_
 
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