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sábado, 14 de agosto de 2010

Brincadeiras cantadas

Pegando carona (como a gente sempre faz aqui) no post da Ci, lembrei e deu vontade de falar sobre as brincadeiras cantadas tão comuns e tão fartas na Cultura da Criança.

Cantadas ou rimadas, “parlendadas” através de versinhos, de lenga-lengas, de tango-lo-mangos ou de ladainhas (que sao aquelas inventadas no quentinho da brincadeira, como me explicou a escritora Vera Lucia Dias, pesquisadora do assunto). As crianças arrumam um jeito de fazer diálogos singelos ficarem especiais e criam um jogo narrado, isto é, com as palavras ditando o ritmo da brincadeira.

Isso me lembra o que disse Guimarães Rosa: Toda ação principia mesmo é por uma palavra pensada.

Tão aí a Boca de Forno, as muitas Estátuas, o Chicotinho Queimado, o Balança Caixão, o Elefantinho Colorido, o Mar Vermelho, a Maria Viola, a Barra Manteiga, a Dona Laura… e tantas outras que não me deixam mentir. As cirandas também, já que são conduzidas pelas canções. (Aliás, conhecem todas essas aí? Se sim, seu repertório lúdico está bem razoável. Se não, podem me dizer que boto as parlendas aqui pra vocês).

_Claudia_ encoberta de palavras na Bienal do Livro de São Paulo (aguardem post a respeito)

Sábado nem é dia de link

...Mas esse texto do arquiteto Wellington Cançado sobre rua, praças, brincar e organização dos lazeres está imperdível. Bonito, irônico, sensato e ponto --> .

_Cibele_

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Gotcha!

Não tenho o menor problema com armas de brinquedo, desde que pouco realistas. Espada de jornal é artigo de primeira necessidade em algumas brincadeiras. Fora que, para burlar a proibição de se representar uma arma com o brinquedo, a criança acaba fazendo uma de massinha, de galho ou apenas improvisando com um indicador e um polegar em riste. Engana-se quem pensa que a criança é um ser inocente e puro corrompido pela televisão. Já vimos aqui que essas motivações agonísticas (de lutas) estão presentes no comportamento de outros primatas também. Claro que há excessos, mas isso é assunto de outro post.


Vários brinquedos tiveram sua origem no desenvolvimento de armas de guerra. Cogita-se que o ioiô, mas mais certamente o jogo de dardos, o estilingue, o bumerangue e o arco e flecha.


O problema é que as armas muito realistas parecem banalizar uma chaga da humanidade. Pode ser um excesso de sensibilidade minha, mas essas armas de brinquedo que a Hasbro trouxe para o Brasil me fazem lembrar do jornal nacional, do tráfico de armas de guerras pelo tráfico de drogas brasileiro, do Oriente Médio e das crianças-soldado, e até do Kevin.


Para conhecer o Kevin, que aliás, parece que vai sar das prateleiras para o cinema, clique aí embaixo:


http://www.intrinseca.com.br/catalogo_ficha.php?livrosID=31


Sem falar que essas brincadeiras podem acabar com o meu humor, motivo pelo qual as minhas crianças nunca vão ganhar de mim uma pistola d´água. Agora uma coisa muito estranha...Indicada para crianças a partir de 6 anos, a tal Nerf tem grande parte de seu público consumidor, jovens adultos de vinte e poucos anos que compram, importam novos modelos, colecionam, custominzam, se autointitulam NERDS e pensam em usar isso para “brincar” com os colegas de escritório.


Só de pensar, azedei!


Mas como hoje é sexta-feira, dia de link, prometo um link festivo ao fim da tarde de hoje.


Inté,


_Cibele _


sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Sexta-feira é dia de link - Futebol e a evolução dos homens na terra

Um artigo bacana e divertido do bacharel em filosofia Hélio Schwartsman que fala sobre a paixão nacional iluminada pelas idéias de Huizinga.

O artigo é de 2002, em 2010, parece ser urgente rever os nossos ídolos, não?

Bom fim de semana,

_Cibele_ a procura de seus heróis

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Brincadeiras de primatas

Olha que legal esse vídeo da BBC que mostra uma interação entre gorilas com estrutura semelhante ao pegador dos nossos pequenos homo sapiens. Percebe-se um esquema de revezamento que aparece nas interações humanas já nas primeiras semanas de vida. Na alternância do defensivo e do ofensivo, há o movimento de ataque e o medo que caracterizam as motivações agonísticas (agõn - luta em grego) das brincadeiras de luta e perseguição.
Cientistas que observavam os gorilas em zoológicos perceberam que eles tocam no companheiro e logo fogem. A pesquisa publicada na revista Biology Letters conclui que os gorilas testam comportamentos socialmente aceitáveis nos grupos sociais. Nas crianças humanas, em situações controladas como o brincar, o medo e a agressividade do ataque constituem fontes de prazer, mas podem também ter funções específicas dentro de cada sociedade.
Legal, né?
_Cibele_que de férias deixou seu para casa agendadinho.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Um, do, lá, si, vamos ir... quando quisermos

Ilustração original de John Tenniel para Alice no País das Maravilhas
Esse post da Clau me lembrou um texto do Deleuze chamado Do Jogo Ideal*, em que ele lembra dois jogos inventados por Lewis Carroll a partir de jogos conhecidos. Um deles é o croquê jogado por Alice, em que as bolas são ouriços, os tacos são flamingos rosados e os arcos não param de se deslocar. Difícil imaginar quais regras regem esse jogo maluco ou a corrida de Caucus em que a partida é dada por cada um no tempo que lhe convier.

O próprio Deleuze explica que nesse jogo ideal-maluco os lances são sucessivos, mas simultâneos em relação a esse ponto que muda sempre a regra, insuflando o acaso e ramificando o caos numa distribuição nômade e não mais sedentária. É o jogo dos problemas e das perguntas e não mais das hipóteses organizadoras de regras como no jogo convencional.

Quem convive com o brincar da criança, o brincar genuíno, tão distante dos almanaques, sabe que ela se apropria rapidamente da regra, apreende sua estrutura e não pára de propor e experimentar novas regras infinitamente. Por vezes a própria estrutura inicial se desloca e depois de tantos deslocamentos, já nem se sabe mais de onde se partiu. A criança improvisa e por isso é vanguarda.

Se fosse uma reza, pra usar a imagem bonita da Clau, o brincar seria aquela reza que a gente diz espontaneamente, nada a ver com as orações de catecismo, por exemplo. O Garrocho que me perdoe se cometi alguma heresia falando de Deleuze (e corrija minhas blasfêmias), daquilo que ele sabe muito mais que eu.
Mas não resisti a esse improviso.
***
Aliás, por falar em Deleuze, um autor que sempre me encheu os olhos, ando encafifada com um troço...a idéia da infância como devir contradiz totalmente as visões mais recentes da criança como um ser humano presentificado, não?
_Cibele_que só esquenta as turbinas para além dos posts frugais quando a semana já está acabando

Reza (em tempos de Copa do Mundo)

bambini-che-giocano As Ludi, na Antiguidade, eram grandes festas de caráter religioso em que o rito – isto é, seguir certos procedimentos em modo predeterminado – assumia uma sua sacralidade. O vocábulo atual lúdico faz referência a este carater sagrado original, e o jogo pode ser considerado uma tentativa de (re)encontrar o Divino, o Belo, o Essencial.

Dentro dessa “sacralidade”, nao cabe o engodo. Ou seja, como componente fundamental do jogo, temos o cumprimento de certas regras implícitas: ou se está dentro do jogo e se aceitam e se cumprem estas regras, ou se está fora, o que significa não fazer parte do jogo em questão.

Não fazer parte pode significar também não usufruir plenamente do prazer e do crescimento que o jogo propõe. Uma escolha que pode ser feita pelo jogador em nível consciente ou não.

As regras, longe de serem leis, simplesmente conduzem o jogo e o jogador como o leito de um rio; são a sua organizaçao interna, o seu contexto, a sua razão de existir.

Embora possam ser ultrapassadas, superadas e de algum modo reconstruídas, são elas que dão ao jogo sua consistência. O jogador pode compreendê-las (quanto mais, melhor) ou não, mas conhecê-las, haver-se com elas, é imprescindível. Mesmo que decida corrompê-las, estará ainda subordinado a elas desde o momento em que aceitou fazer parte do jogo. Só é possivel corromper o que de algum modo foi/é determinante.

Além da compreensão das regras (o que permite jogar com habilidade e estratégia), a atividade lúdica compõe-se de um outro elemento: a pura sorte. Um jogo sempre comporta um “lance de dados”, o acaso, um certo caos. Mas nem a sorte conseguiria intervir se as regras não fossem respeitadas dentro do organismo do jogo. A sorte também está subordinada às regras, já que acontece a partir de seu traçado.

Quando observamos as crianças que brincam, conseguimos perceber com muita clareza o quão seriamente elas se lançam naquela atividade aparentemente inofensiva. Brincar é uma experiência que requer um empenho máximo, porque nos envolve em primeira pessoa. É um tipo de meditação: jogando/brincando, o sujeito está conectado com o entorno, relaciona-se, coloca-se como ser ativo e passivo, reflete.

Brincar não é nem de longe perda de tempo, simples entretenimento. Brincar, não só pras crianças mas pra qualquer pessoa, é um tipo de oração.

_Claudia_

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Um post para Rosana

Flávia de Rin

O post sobre brincadeiras de guerra da Clau me fez lembrar de discussões que ocorreram na ocasião da notícia sobre essas crianças que brincavam com pós de giz em Sapucaia do Sul.
Lembro de ter estranhado a reação dos educadores da escola e a comoção geral causada pela notícia. Era como se a escola fosse responsável pelo conteúdo das brincadeiras das crianças, como se pudesse controlá-lo. Esse olhar moralizante não enxerga a origem da brincadeira, isto é, o contexto social desses meninos. Por mais que não se queira admitir, há uma coincidência entre a brincadeira e o fato de que a cidadezinha da região metropolitana de Porto Alegre é uma das mais violentas do Estado.

Numa dessas discussões, acabei conhecendo a Rosana Padial, uma profissional do brincar que me apresentou o livro Brinquedo e Cultura de Gilles Brougère em que o autor afirma: A brincadeira é, entre outras coisas, um meio da criança viver a cultura que a cerca, tal como ela é verdadeiramente, e não como ela deveria ser.

Com a generosidade típica de quem sabe brincar, a Rosana ainda me mandou um vídeo lindo do seu trabalho em que ela levanta, entre outras características do brincar, a leveza, que transforma em risada a mais dura realidade.

Rir de si mesmo, diria André Comte-Sponville, é a única forma legítima de humor e a mais necessária, já que levar-se a sério demais é não ter humildade. As crianças o sabem bem...
_Cibele_

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Jogos de guerra

picasso_guernica Imagem: Guernica, de Pablo Picasso

(Este post surgiu de uma conversa com um “conspirador do brincar”, Luiz Carlos Garrocho)

O menino da favela brinca de vender cocaína e de metralhadora. O menino italiano brinca de caçar o "cigano-ladrão". O menino americano brinca de explodir países inteiros. Em casa, na escola, as “lutinhas”. O soldadinho. O super-herói.

Tudo é narrativa. A Vida parece estruturada como narrativa.

O Jogo – o brincar – não podia ser diferente.

“De brincadeira” se faz o belo, mas também o bullying, o vandalismo, os jogos políticos, o jogo de negócios, os jogos de guerra. Jogos perversos. Paradoxo inquietante. Às vezes assustador. A violência penetra o mundo da brincadeira, transborda.

As crianças imitam (brincando) o mundo onde estão imersas. E trazem também dentro de si, na natureza humana, os componentes do “lado obscuro da Força”. É uma luta interna de duas narrativas tão opostas quanto humanas. O bom e o cruel lado a lado.

Nessa luta, vista de frente, a possibilidade de aprender ou de se render. É preciso descobrir “Mas e eu, a que jogo pertenço?”

Brincar consigo mesmo – a auto-ironia. Saber brincar. Saber narrar a si mesmo. A dimensão lúdica precisa ser cultivada, inventada, encontrada de um modo muito pessoal. Até que o que esteja no centro seja a alegria, o entusiasmo, a leveza e não mais a onipotência. Aí entra o adulto-ao-lado-da-criança. Aquele que brinca junto, que compartilha as emoções e sugere caminhos. E propõe questões. Se a sociedade estimula a violência, podemos no nosso micro-cosmos indicar outras saídas. Mas isso é um processo longo, não coercitivo.

O que queremos ser através do brincar? Quem queremos ser?

O jogo, narrativo, contém segredos. Poder falar, escutar, interagir, procurar as palavras do outro. Ver a si mesmo primeiro pra ver o outro – e sua extensão, o mundo - depois. Ou a partir de si. Ensaiar a tolerância e a auto-compreensão.

Devemos nos ocupar de narrar a nós mesmos através do brincar, pois a brincadeira põe ordem ao caos da existência.

_Claudia Souza_

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Vivendo e aprendendo a jogar


Observando um grupo de crianças brincando, percebemos como varia a intensidade com que cada uma se relaciona com o jogo. Há as que se colocam no meio do campo na queimada e aquelas que se escondem nas beiradas, há as que são os primeiros a correr no pegador e as que nunca saem do pique. Há as que jogam a primeira mariazinha bem alto para dar tempo de pegar todas as outras, há as que, prudentes, jogam bem baixinho. O jogo é a tensão entre a entrega e a necessidade de autoproteção.

Quando somos pegos ou queimados, conseguimos avaliar onde foi que erramos. Há ainda um outro tipo de perda _ aquela que foge ao nosso controle. Um jogo completo deve associar estratégia e sorte, porque há situações em que nossas estratégias mirabolantes escoam num simples lançar de dados. A morte, o curinga, a chuva e o par ou ímpar são exemplo das nossas limitações e da nossa humanidade. Se uma sorte teima em se repetir, é chamada de dados viciados_ um jeito que a estratégia tem de se vestir de sorte.

Quando os adultos simulam a vitória das crianças, lhes dão sinais de condescendência, que é a desonra total do jogador. Muito diferente da “carta branca” que declaradamente relativiza as regras para manter no jogo os mais novos, que sem esse recurso, não experimentariam novas habilidades. Para admitir a carta branca, as crianças têm de entender que existe uma hierarquia de habilidades, mas que também os mais hábeis se tornam de alguma forma mais responsáveis. Percebo uma forte tendência na cultura da criança contemporânea-urbana para mascarar a vitória e a derrota. Como que tentando frear o individualismo e a competitividade, evitamos a relação, a entrega e todos os riscos. Jogamos a criança fora, junto com a água do banho.

Do outro lado do time, há os adultos que criam dificuldades na vida das crianças a fim de prepará-las para o pior. Ora, como se já não houvesse suficientes pedras no meio do caminho de qualquer um.

O brincar é tudo isso... envolve coragem e autopreservação. Brincar bem é arriscar sem se comprometer gravemente. Por isso, os joelhos escalavrados. Por isso, o pique.


_Cibele_

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Encanto

E quando as crianças brincam de olhar as nuvens? Ou de pensar na morte da bezerra? De acompanhar o ritmo das formigas? Os gravetos, os troncos, as pedrinhas. Alguma coisa que flutua na água. Ou até de morrer (estirada no chão do quintal, imóvel, por hooooooras…).

Criança é confundida com atividade. As brincadeiras contemplativas – cuja ação é “de dentro” - são muitas vezes motivo de preocupação entre pais e educadores.

Esse menino ‘tá quieto demais. ‘Tá doente? E se estão em companhia: estão aprontando alguma coisa!

Por isso ou porque não reproduzem as atividades adultas “normais”, como no jogo de faz-de-conta (que aos olhos adultos parece previsível mas quem se dispõe a observar de perto percebe rapidamente que pode ser muito transgressivo).

Num artigo muito bonito*, a Doutora Alessandra Mara Rotta de Oliveira, da Universidade de Santa Catarina, diz que a brincadeira contemplativa

provoca a imaginação dinâmica e criadora. E não nos enganemos, exige esforço, exige tempo. Falamos aqui de um tempo de criação que contém em si a contradição fecunda da inércia, do ócio e do movimento, da ação, da experimentação e da contemplação. Este jogo entre imaginação criadora e os elementos da natureza exige um tempo e um esforço concretos(…).

tra le nuvole

* Texto publicado no livro: FRITZEN, Celdon e CABRAL, Gladir S. (orgs) Infância: imaginação e educação em debate. Campinas SP. Papirus 2007, p. 73-90.

As brincadeiras contemplativas (sempre ativas) aparecem, felizmente, com muito mais frequência que se imagina entre as crianças. De fato, nenhum brinquedo ou atividade estruturada jamais será capaz de substituir a natureza como referência, como mestra dos processos imaginativos e da Arte.

_Claudia_

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Arqueologia doméstica

(Esse post vai especialmente para o Maurício J., que sugeriu aqui uma Frente de Liberação para os brinquedos esquecidos).

Que tal aproveitar as férias (no Brasil, o recesso) pra fazer junto com as crianças um pouco de arqueologia doméstica? Remexer armários e cantos procurando aqueles objetos interessantes que, de tão bem guardados, quase viraram fósseis? Mas que podem ser ainda usados
a) em brincadeiras
b) em jogos de construção
c) como arquivo da história familiar... e por aí vai.

... Caso não possam mais ser usados em família, podem ser trocados, (um bazar de trocas desses objetos pode ser divertido), doados ou, se realmente inúteis (o que é raríssimo) simplesmente jogados fora, pra liberar espaço pras novidades. É claro, fazendo isso com muito critério. O lixo atualmente é um dos pontos mais cruciais pra quem acredita que a Terra terá um futuro. Portanto há-que considerar que os objetos, como os seres vivos, têm um nascimento, uma vida e uma morte, três etapas que podem - ou não - ser significativas dependendo de como nós as tratamos.

Costumava fazer isso todas férias quando Davi era pequeno. Uma vez a gente encontrou uma coleção de brinquedinhos de kinder ovo dele. Não deu outra: virou uma moldura de um quadro. Há pouco tempo a Paula me mostrou um trabalho que fez com a meninada da escola do filho dela assim, moldura de kinder ovo. Vejam que bela sacada:

No centro, obras das crianças...


_Claudia Souza_ (contando com a presteza da sócia na entrega dos Pra Casas enquanto viaja)

domingo, 5 de julho de 2009

Tramas de barbante

Muito legal também esse video da Folha On Line. Uma professora ensina a brincar com barbante e fala sobre o desafio e o encanto que é essa simples brincadeira. Tentem vocês também.

=)

_Claudia Souza_

domingo, 3 de maio de 2009

Vamos brincar de quê?

Em geral, tende-se a considerar a brincadeira como uma atividade com fim em si mesma; pueril e inútil. A atividade lúdica, intrinsecamente sem objetivo, é assim contraposta ao trabalho, objetivado e produtivo. Mas é assim mesmo? Munari fala de "brincar com a Arte" definindo novos modelos que se revelaram absolutamente eficazes para a didática da Arte. Mas a brincadeira de Munari é uma brincadeira muito séria, mesmo mantendo sempre as características de leveza e graça. Como podemos descrever isso? Que relacionamento há entre a brincadeira de Munari e as reflexões de Piaget que reconhecia no jogo uma função importante no desenvolvimento da esfera cognitiva e da personalidade, e a obra de Vygotskij que o considerava como força da evolução afetiva?

(Silvana Sperati, "A che gioco giochiamo", tradução minha)
Me deparei por acaso com este trecho e pensei naquela questão que a Cibbele colocou sobre o "uso pedagógico dos jogos e brincadeiras". Não seria o caso, como já defendi nesse artigo uma vez, de pensar também no uso lúdico da pedagogia, da didática? É possível e saudável brincar com a Arte, com a Matemática, as Línguas, enfim, com qualquer objeto de conhecimento. É óbvio que brincando se aprende (muito mais que quem pretende controlar possa imaginar), como também aprender é um jogo diante da necessidade/vontade/desejo de crescimento que acompanha todo Ser Humano. O problema é colocar uma coisa "a serviço" da outra. Na verdade, penso que sejam âmbitos interligados e igualmente importantes. Problema pior é "escolarizar" as capacidades humanas. Aí sim, perde completamente o sentido.

_Claudia Souza_

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Giro rápido

Esse fim de semana, estive num curso com o brincante Levindo Diniz, experiência que garantiu o saldo positivo do feriado depois de dois programas culturais para criança da categoria super roubada. Estive mais quieta, observando tudo e convicta de que o brincar é mesmo, como afirma Lydia Hortélio, o "último reduto da espontaneidade".
Fiquei pensando se o brincar proposto pelas escolas é um brincar genuíno ou mera sabatina disfarçada. E se o ficar quieto, observando é um não brincar. Como é que a escola, principalmente a que determina objetivos pedagógicos pro brincar, lida com a falta de vontade de brincar?
À certa altura, minha mão coreografava livre e distraídamente com o barbante da brincadeira proposta, quando uma colega ao lado me alertou: você arranjou um novo jeito de brincar!
Então fiquei pensando que a gente pensa melhor quando a ideia passa pelo corpo e pelo coração da gente. Mesmo que quietos.
***
No oooutro fim de semana, a convite da querida Fefê, assisti ao espetáculo A Ver Estrelas e gostei muito, feita a ressalva de que o texto (maravilhoso) é um pouco indigesto às crianças muito pequenas, o que não chega a ser ruim, já que poucas produções se ocupam das crianças maiores e dos adolescentes.
***
Bonito demais esse post do Garrocho.
Cibbele Carvalho
 
BlogBlogs.Com.Br