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domingo, 27 de dezembro de 2009

Caracolando 2 - Cenas de despedida


Imagem da artista plástica Russa Ilonessa


Último dia de aula, a Ciça vai se despedir da professora de artes de que gosta tanto.


_ Cecília, está caindo !_diz a professora apontanto para os pedacinhos de feltro que ficaram pelo chão, atrás de nós.


Passado o espanto e depois de catar tudo, a menina responde, rindo:


_ Acho que joguei para não perder o caminho de volta!




***


Ah, tem jeito de não chorar?


_Cibele_

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Diário de Campo


Fiquei por meia hora esperando as crianças chegarem para a minha oficina e nesse intervalo, aproveitei para observar outras crianças, também frequentadoras desse projeto social. Elas andavam de lá pra cá em grupos de dois ou três. Às vezes, se empurravam e chamavam a atenção uns dos outros, numa mistura de brincadeira e provocação.

Uma menina pergunta por outra. Respondem que ela foi à cidade, como se estivéssemos fora dela. E talvez estejamos.

Sentada embaixo de uma árvore _ o sol está muito forte_ cai um filhote de passarinho aos meus pés. Algumas crianças o cercam, um menino se arrisca a pegá-lo. Joga o pardalzinho pra cima diversas vezes e apanha de novo. Tô ensinado ele a voar _ se justifica. Outro chega e adverte de que ele está é apavorando o passarinho. O tom, muito comum entre eles, é de reprovação. Há uma ginga na fala, mistura de canto e luta. O passarinho passa para a mão do segundo menino. Esse investiga as suas asas e tomado pela curiosidade, abre-lhe o bico, sob os protestos do bicho. Uma instrutora do projeto chega e diz que o passarinho não está gostando. Toma-o nas mãos e afirma que devem devolvê-lo ao ninho. Algumas crianças buscam uma escada de cerca de 3 ou 4 metros. O garoto maior começa a subir e ameaça que vai dar um se não segurarem a escada direito. Duas ou três crianças seguram embaixo, ainda trocando críticas: Segura direito! Cuidado com a sua mão! Nos'Senhora, se o menino cair, ele mata nóis.

Pronto, o passarinho está no ninho. Distraído, um menino pisa na grama e é advertido:
_ Oi, não derrota a grama não!

As crianças se dispersam... Lá em cima, o pardalzinho pia e ameaça sair de novo do ninho de João de Barro tomado como lar.


_Cibele_

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O jogo da Morra

Indo pro trabalho ontem, passei por uma pracinha. Estava caminhando distraidamente, quando um grito “Sete"!” chamou minha atenção. Vi um pouco adiante um grupo de senhores de certa idade, sentados na grama, com outras pessoas que observavam em volta. Devem estar jogando alguma coisa, pensei. E resolvi me aproximar.

Morra

Estavam mesmo. Me contaram que aquele era o jogo da Morra (se diz móra) e que é assim: os dois adversários estendem simultaneamente as mãos indicando um número com os dedos e contemporaneamente gritam um número de zero a dez. Vence quem diz a cifra que corresponde à soma dos dedos. Se ambos adivinham, ou erram, a jogada é anulada.

No trabalho me contaram que este jogo é antiquíssimo e muito difundido em toda a bacia do Mediterrâneo. Fui pesquisar mais ainda e descobri que é representado em um vaso funerarário conservado no Museu Egípcio de Berlim. Que na época romana era usado pra resolver disputas e assim foi por muito tempo.

Na ópera cômica Rita ou Le mari battu, de Gaetano Donizetti (1841), a Morra é jogada pra decidir quem ficará com Rita: Gasparo, o marido que se pensava morto mas retorna, ou Beppe, o novo marido. Só que, nas artes operescas, o jogo é feito às avessas, os dois querendo perder: Rita é “simpática como areia na cueca”, como costumam dizer aqui =) Acontece.

_Claudia_

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Com as crianças no quintal

Bom dos 0 aos 150 anos...









  • Slides: a meninada de hoje, tão acostumada com o DVD, com o vídeo-game, com o computador, será que ainda encontra qualquer coisa no velho projetor de slides? Imagem parada, sem som... A resposta é SIM!! Podem experimentar. Das velhas historinhas dos anos 70 (slides que eu tenho até hoje), recontadas tão bem pelo inesquecível Braguinha (que foram reeditadas em CD há algum tempo) até os desenhos delas próprias projetados, passando por fotos de viagens, quadros famosos e outros que-tais, a experiência de ver uma projeçao de slides juntos pode ser sensacional. Isto porque ver uma imagem em largas dimensões, com tempo pra analisar os detalhes, as particularidades, é impagável. Criar um clima de "cineminha" é um ótimo complemento.
  • Contação de histórias na "cabana": outra coisa deliciosa. Escolham bem os textos de acordo com o ambiente, o clima, a hora... mas acima de tudo de acordo com a sua paixão.
  • Cirquinho: reunir a meninada da rua ou do prédio pra organizarem um espetáculo de circo. Cada menino apresenta um "núumero". E depois, os adultos são a platéia.
  • Rua/estrada das formigas: com uma pazinha, vocês vão construindo as "pistas", com curvas, pontes, viadutos, placas. Uma pitada de surrealismo pode ser muito divertido.
  • Pista de pião, bolinhas de gude: fazer o pião rodar é quase uma arte. E as pistas de bolinhas de gude, então? Um dos jogos mais gostosos de todos os tempos.








Quem tiver/quiser outras idéias, fique à vontade.

_Claudia Souza_

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Sobre a urgência das coisas simples


Se fosse uma correspondência entre dois adultos, haveria vários parágrafos de frases prontas, declarações socialmente esperadas e conveniências vazias. Mas como são duas crianças, ficou assim:


De: Fulana Para: Beltrano
Beltrano,
Feliz Natal!
Fulana
***
De: Beltrano Para: Fulana
Fulana,
Obrigado
Beltrano
***
De: Fulana Para: Beltrano
Beltrano,
Dinada
Fulana

Uma lição sobre a urgência das coisas simples!
_Cibbele Carvalho_
 
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