sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Sexta-feira é dia de link


Mas em vez disso, deixo a dica de um evento muito bacana.

Olha a programação:
14h-Início Festival de Brincadeira de rua
14h30 Mastro e celebração Sª Pliar (Padroeira de Nova Lima)
15h barraquinhas de comidas, oficinas de dança, cerâmica e confecção de bonecos
15h30 Estande Comissão Pró- Fechos. SOS águas de Nova Lima
16h Mais brincadeiras- rolimã, papagaio, queimada, etc
16h30 Circo de todo mundo Jd canadá
18h30 Teatro de bonecos Giramundo

Beijos e bom fim de semana pra todo mundo!

_Cibele_

Gotcha!

Não tenho o menor problema com armas de brinquedo, desde que pouco realistas. Espada de jornal é artigo de primeira necessidade em algumas brincadeiras. Fora que, para burlar a proibição de se representar uma arma com o brinquedo, a criança acaba fazendo uma de massinha, de galho ou apenas improvisando com um indicador e um polegar em riste. Engana-se quem pensa que a criança é um ser inocente e puro corrompido pela televisão. Já vimos aqui que essas motivações agonísticas (de lutas) estão presentes no comportamento de outros primatas também. Claro que há excessos, mas isso é assunto de outro post.


Vários brinquedos tiveram sua origem no desenvolvimento de armas de guerra. Cogita-se que o ioiô, mas mais certamente o jogo de dardos, o estilingue, o bumerangue e o arco e flecha.


O problema é que as armas muito realistas parecem banalizar uma chaga da humanidade. Pode ser um excesso de sensibilidade minha, mas essas armas de brinquedo que a Hasbro trouxe para o Brasil me fazem lembrar do jornal nacional, do tráfico de armas de guerras pelo tráfico de drogas brasileiro, do Oriente Médio e das crianças-soldado, e até do Kevin.


Para conhecer o Kevin, que aliás, parece que vai sar das prateleiras para o cinema, clique aí embaixo:


http://www.intrinseca.com.br/catalogo_ficha.php?livrosID=31


Sem falar que essas brincadeiras podem acabar com o meu humor, motivo pelo qual as minhas crianças nunca vão ganhar de mim uma pistola d´água. Agora uma coisa muito estranha...Indicada para crianças a partir de 6 anos, a tal Nerf tem grande parte de seu público consumidor, jovens adultos de vinte e poucos anos que compram, importam novos modelos, colecionam, custominzam, se autointitulam NERDS e pensam em usar isso para “brincar” com os colegas de escritório.


Só de pensar, azedei!


Mas como hoje é sexta-feira, dia de link, prometo um link festivo ao fim da tarde de hoje.


Inté,


_Cibele _


Bola na rede

No meio de tanto trabalho, tirei umas horas e fui mostrar São Paulo um pouquinho pro maridon. Continua linda essa megalópole, né? Podem se orgulhar, paulistas.

Por indicação do pessoal da Callis, fomos, entre os outros programas básicos da cidade (MASP, Museu da Língua Portuguesa, Ibirapuera, monumento do Empurra-Empurra…) ao Museu do Futebol, no Estadio Pacaembu. Eu nunca tinha ido (também, nunca tinha vindo a Sampa com um estudioso do esporte como fenômeno social, além de apreciador clássico do futebol brasileiro, como costuma acontecer a esses estranhos espécimes do gênero masculino).

Surpresa suuuuuuuuper agradável. Eu a-do-rei! E é o tipo do Museu capaz de agradar muito às crianças também. Muito divertido, interativo, bonito, bem montado, com um acervo pra ninguém botar defeito. E com uma base conceitual muito sólida (sem manipulações ideológicas). Realmente um ótimo passeio.

Fica aí a dica pros paulistanos ou passantes de plantão.

_Claudia_ na Paulicéia desvairada

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Enquanto a Clau está em Sampa, preparando-se para a Bienal...

...e eu estou mergulhada até o pescoço em livros, lá vão algumas rapidinhas:

Revisão de férias
O Toy Story 3 é lindo demais, não? Já o Shrek achei meio chato...mas teve quem gostasse. O Museu da PUC está muito legal, mas precisa qualificar seus monitores.

Boas novas
Depois de fazer muita falta, o Biscoito voltou.

_Cibele_ em momento o dever me chama

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Sexta-feira é dia de link - Futebol e a evolução dos homens na terra

Um artigo bacana e divertido do bacharel em filosofia Hélio Schwartsman que fala sobre a paixão nacional iluminada pelas idéias de Huizinga.

O artigo é de 2002, em 2010, parece ser urgente rever os nossos ídolos, não?

Bom fim de semana,

_Cibele_ a procura de seus heróis

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A filosofia e as crianças

Durante um bom tempo, estudei filosofia para crianças e dei aula de filosofia para crianças. Embora atualmente eu tenha uma posição mais crítica em relação ao método do Lipmann, que foi o americano que desenvolveu essa ideia, continuo achando que aproximar a filosofia e as crianças é não só muito bonito, mas muito produtivo.
A maior crítica que o método recebeu foi justamente o fato de ser um método. Nenhuma pedagogia ou filosofia mais reflexiva foi colocada no lugar e o projeto foi perdendo sua força. Lá se vai a criança, junto com a água do banho...
Longe das políticas educacionais, não necessariamente públicas, fica a impressão de que há algo de filósofo na criança, tal como há algo de infantil no filósofo.
Um livro que comprei há alguns anos atrás me fez pensar nisso, mesmo depois de afastada das salas de aula. 101 Experiências de Filosofia Cotidiana não é um livro que comporta a filosofia acadêmica, mas traz essa proposta de enxergar o cotidiano como se fosse a primeira vez.
O livro lista 101 propostas de experiências, mas vou enumerar algumas que me parecem bem típicas do olhar infantil:
Experimentar roupas - "Faz tempo que as roupas não servem mais para proteger do frio ou da chuva nem para preservar um suposto pudor. Parece difícil imaginar que mesmo as roupas mais primitivas servissem apenas para aquecer pessoas. É claro que sempre tiveram uma função simbólica.
(...)
Você pode experimentar roupas não para comprá-las, mas para explorar experiências inesperadas. Em vez de procurar, como de hábito, o que lhe cai bem, o que corresponde ao seu gosto, estatura ou status, seu tipo e seu imaginário, experimente roupas incoerentes.
Colocar-se no planeta dos pequenos gestos - Esse é lindo! A idéia é recuperar na lembrança pequenos gestos significativos...a minha mãe colocava bem de leve a mão nos nossos ouvidos quando íamos dormir. o silêncio abafado, o calor da mão dela e o seu cheiro são enormidades desses pequenos gestos. Só me lembrei dele, quando me vi fazendo igual na minha filha. Mais que isso, quando a minha filha me pediu que deitasse a palma da mão no seu ouvido como eu fazia sempre e ela gostava muito. E eu nem tinha percebido que assim fazia.
Sorrir para qualquer um - Quem não se lembra de um clássico das crianças, de um tempo em que ninguém usava cinto de segurança (menos ainda cadeirinha) no banco de trás...a gente ajoelhava no banco traseiro e ficava acenando pros carros. Vez em quando a gente também fazia língua e escondia...isso era verdade!
Tomar banho de olhos fechados (passar condicionador nos azulejos ou no corpo vai nessa mesma linha)
E mais...
Entrar dentro de um quadro
Apegar-se a um objeto
Provocar a si mesmo uma dor rápida
Chamar seu próprio nome
Acompanhar o movimento das formigas
Procurar o "eu" em vão
Descascar uma maçã em pensamento
Contemplar um pássaro morto
a 31 é...brincar feito criança...como se as outras 100 não fossem a mesma coisa!
_Cibele_

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O livro da selva

Aqui vocês podem acessar um livro fofo, feito por crianças da Amazônia. Essas crianças fazem parte da Associaçao Xixuau, pra onde está indo trabalhar uma grande amiga minha, Regina Marques.

Legal dar também uma conferida no site da Associação e saber como tem pessoas bacanas arregaçando as mangas pra colaborar com as populações amazônicas.

_Claudia_

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Uma palmada bem dada?

(Ihhh, já tô vendo gente queimando a poesia da Cecília Meireles).

cecilia_meirelles

Ironia à parte, não acho que palmadas e beliscões eduquem, muito pelo contrário, nem que sejam necessários. Na época dos meus pais (e da Cecília) era um costume e o fato de ser um costume mediava as reações de pais e filhos, tornava-o compartilhado e portanto aceitável. Hoje já dá pra enxergar(claro, nas devidas proporções) como um atestado de falta de recursos e/ou de perda de controle. Mas a gente que é pai e mãe e é humano sabe muito bem como esse tão almejado controle é difícil de se conseguir, e como os recursos educativos são complicados de se construir. Haja autoexame e reflexão, haja divã!! Tudo isso leva tempo e paciência e nesse interim a gente erra muito exercendo a pater/maternidade.

A gente erra, simplesmente. Continuamente e não só quando dá palmada (tem erros piores). Erra querendo acertar. Erra mais do que deveria. Erra porque faz e porque é verdadeiro. Não somos perfeitos, não temos manuais e mesmo se tivéssemos, não conseguiríamos seguir metade das instruções. Mais fácil ser ausente, a gente corre menos riscos. Mas em Educação é importante tentar, é importante fazer pra ir aprendendo a seguir as próprias convicções. Ninguém tem a fórmula pra todo mundo, cada situação é unica. Mesmo um erro pode ser um acerto se visto de outros pontos de vista. Vai-se saber. O que não se deve fazer é renunciar, desistir. A gente tem de querer educar.

Pra mim, essa Lei que proíbe palmadas e beliscões parece um tanto bizarra. Tenho dificuldade de vislumbrá-la na prática. Tem até um cheirinho de fundamentalismo. Primeiro porque é uma estatização das relações familiares e isso me assusta. Fico pensando onde é que vai parar. Segundo porque as linhas divisórias entre os diversos atos, suas dimensões e seus significados são tãao sutis que nem uma Justiça eficientíssima daria conta (e a nossa Justiça, vide Conselhos Tutelares, tá longe disso). Ou seja, não dá pra botar tudo no mesmo balaio, nem declarar se um ato é correto ou não a priori. Terceiro porque existem formas de violência não-físicas assustadoras e a gente sabe que proibiçao nunca freiou os verdadeiros agressores. Quarto porque põe em cheque um total desconcerto educativo, conceitos fora de lugar, deformações de juízo, falta de clareza, alternância de posições. E por último porque, pra variar, a Lei aparece como repressão ao invés de formação. Como sempre, é mais fácil pro Estado proibir do que criar Políticas Públicas eficazes de proteçâo às crianças e adolescentes.

Ontem participei (só lendo porque a moderadora fez questão de publicar só questões muito pouco políticas) do bate-papo com a Rosely Sayão a respeito. Colo alguns trechos interessantes pra vocês pensarem junto comigo a partir das falas dela.

“Não sei porque consideramos a palmada tão necessária assim. Antes dos seis anos, por exemplo, a criança precisa de um adulto sempre por perto para evitar que faça o que não deve. depois dessa idade, deve aprender a arcar com as consequências de seus atos. Não precisa mesmo ser uma palmada...”

“O espírito da lei é legítimo: proteger nossas crianças de adultos loucos, descontrolados, irresponsáveis etc. Mas não sei se a forma é adequada”.

“Essa lei, junto com outras bem diferentes, mostram a invasão do estado na vida privada. Acho isso muito perigoso. Hoje podemos ser contra a palmada - eu sou - mas amanhã, sabe-se lá o que pode ser transformado em lei?”

“Seu texto nos leva a pensar que o pai que não bate não impõe limites. Isso é um equívoco, devo assinalar. Conheço muitos pais que dão as chamadas palmadas pedagógicas e são permissivos em demasia e pais que nunca bateram e são rigorosos na educação dos filhos...”

“Há fases da vida dos mais novos que o dialogo é impossível. Dialogar com uma criança que quer brincar em vez de dormir? como dialogar com um jovem que quer usar drogas perigosas? Na maior parte das vezes chamamos de diálogo o que na verdade é convencimento: queremos convencer os mais novos a aceitarem nossas ordens sem que pareçam ordens. O fato é: educar tem um pouco de tirania sempre. Afinal, quem disse que ir para a escola, por exmeplo, é bom para a criança? Somos nós e não elas...Educar supõe sempre imposições. Não adianta querermos tapar o sol com a peneira. Hoje os filhos são autoritários porque os pais não são. Prefiro que os pais sejam”.

“Não faz sentido ser a favor da palmada mas só quando dada por alguém em especial... os filhos não são propriedades dos pais. se vc bate, porque a babá acharia que ela não pode bater? se consideramos a palmada educativa, todos que educam podem bater, não é verdade? afinal, trata-se de uma ideia de educação que está em jogo”.

“Concordo que antigamente a educação era mais rigorosa. Mas o mundo era diferente: quase todo mundo pensava do mesmo jeito. além das palmadas, os pais tinham autoridade moral tb: um olhar dos pais bastava para brecar uma travessura... hoje, os pais e que tem medo do olhar de reprovação dos filhos...”

_ Claudia_

 
BlogBlogs.Com.Br