quinta-feira, 16 de junho de 2011

Morra, Mourre, Amour

Lembram que a Clau falou aqui sobre o Jogo da Morra? Pois então, estudando, desavisadamente, dei de cara com o tal. E achei tão bonito o que descobri, que vim aqui contar. Na França, o jogo se chama la mourre e Lacan “ouviu” a palavra de um jeito bonito de tudo: l´amour_ já que em ambos são necessários dois jogadores. Dois que, juntos mas separados, buscam o zero (morra, mourre, amour).

_Cibele_

E por falar em Ken

O bonitão congelado namorado da Barbie completa nada menos que 50 anos.

Em Trieste foi inaugurada uma exposição em um shopping, com diversos modelos de Ken e Barbie, originais e procurados pelos colecionadores,  pouco encontráveis em lojas e provenientes de diversos países.

Veja as fotos da exposição aqui.

_ Claudia_ adoradora de brinquedos (e de sua história)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Os nossos nomes

Hoje de manhã, meu filho (3 anos) me perguntou como eu e o pai dele escolhemos seu nome. Muitas horas depois, sucedeu-se esse diálogo:

_Samuel!

_Samuel, não. Sou o Flash-que-muda-de-cor-VolBeline-tigle-dinossauLo-malvado-Lancelot-o-Cavalo-mais-Valente-da-Távola-Redonda-com-Gancho-Samuel.

_Tá, samuel!

_Samuel, não!

_Samuel, vou demorar pra aprender um nome desse tamanho.

_Tá, pode ser Samuel até você aprender, então.

Colei o diálogo no facebook, achei graça como toda mãe, mas depois me lembrei de que eu também tive um nome criado por mim mesma: Adriana Aparecida de Jesus. Até hoje é possível que minha mãe, vez por outra, me chame assim, no que respondo sem pestanejar.

Mas tudo isso me levou ainda a pensar numa outra questão. A Sociologia da Infância tem defendido a autonomia relativa da criança, sua atividade na produção do conhecimento, ou seja, a visão de que a criança é um ator social. Por outro lado, a psicanálise provoca que o nome da criança é escolhido, dado, herdado. Uma puxa pra autonomia, outro pra heteronomia.

Tendo a pensar que nem tanto ao céu, nem tanto à terra, toda criança tem lá um conjunto de demandas, expectativas ou currículos, como cada um quiser chamar, nem sempre convergentes: a mãe, o pai, os irmãos, os professores, os colegas, os vizinhos…O nome, as heranças culturais e materiais, o quarto decorado, o tema da festa…mas cada uma criará, com maior ou menor liberdade, a sua bricolage de referências.

Viver sem expectativas é chato, deprimente até, e mesmo as educações mais liberais constituem um currículo prescritivo: seja autônomo, dê a sua opinião, negocie com seus pares, contribua, seja ativo…ainda bem.

A gente ganha um nome dos pais, o nome mais importante de todos, sem dúvida, mas depois ganha apelidos negociáveis dos colegas e cria certos pseudônimos para agir aqui ou acolá.

Pelo menos é o que eu ando pensando…

_ Cibele, que um dia já foi Adriana Aparecida de Jesus_

E lá no Butão (min 3), onde os pais levam os bebês aos monges budistas que lhe escolhem o nome?

Xi, deu nó! 

terça-feira, 14 de junho de 2011

Aprendendo a jogar bafão: o treino


jogodobafo


Durante a mesma observação na escola em que fui testar o adulto atípico, me tornei aprendiz de bafão. Meu mestre é um menino de cerca de 10 anos, que diz estar na dúvida entre ser médico ou jogador de futebol.


Aprender a jogar com alguma criança, implica em estar disponível para a metodologia de ensino infantil, que consiste em pouca falação, muita observação e treino.


Ninguém te diz quando é que se usa adedanha, 2 ou 1 ou par ou ímpar, mas você acaba sabendo. Fui assim, seguindo o fluxo, até que meu mestre se irritou.


_Cibele, seu dedo bate no chão antes da sua palma, por isso o fusquinha não dá certo!


Fusquinha é o tapa dado com as mãos em concha, ao lado do monte e não em cima dele. O que vira as figurinhas é o ar que sai de um pequeno buraquinho deixado na ponta dos dedos.


Pergunto se quem vira ganha a carta virada e ele me explica que não jogam valendo, afinal, o saquinho custa 80 centavos (!!!) e que aquelas figurinhas foram dadas por fulana, possivelmente uma menina um tanto mais querida que as outras.


Ah, e melar não vale! Melar é demorar muito com a mão em cima da figurinha quando a manobra é em cima dela, para que ela grude na mão. Afinal, bafo é bafo, ou não chamaria bafo (vento), me explicam.


Quando me despeço, ele adverte de que devo treinar mais. Meu fusquinha não tá bom, não.


_Cibele_


Aqui, sobre adultos que jogam bafo de um jeito, vamos combinar, bem mais simplório.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Festival Internacional de Bonecos

Para fazer belorizontinos felizes, tem espetáculo pra todo mundo! Confira a programação no site.

_Cibele_

Barbie e Ken na capital da moda

Que engraçada essa vitrine de uma loja de tatuagem em Milão.

As estrelas são Barbie e Ken em estilo tatoo. Quanto são “in” esses bonecos, meu-deus-du-céu.

O modelito jeans é o sonho de toda menina que coleciona roupinha de boneca.

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_ Claudia_ fazendo arqueologia urbana em dia de chuva

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Promessa é dívida ou antes tarde do que nunca


Prometi falar do Corsaro quando estive no Seminário em Brasília e não o fiz porque demorei 3 meses para digerir a reprodução interpretativa. Fazer resumo é muito chato e qualquer um pode fazer isso numa biblioteca perto de você. No fim, a gente quer é dar pitado e contar uns casos. Mas vamos ao resuminho pra depois prosear.


Corsaro criou conceitos importantes para a sociologia da infância como “reprodução interpretativa” e “cultura de pares”.


Reprodução interpretativa: O termo interpretativa captura os aspectos inovadores da participação da criança na sociedade, indicando que as crianças criam e participam de suas culturas de pares singulares por meio da apropriação de informações do mundo adulto de forma a atender aos seus interesses próprios enquanto crianças (Giddens). O termo reprodução significa que as crianças não apenas internalizam a cultura, mas contribuem ativamente para a produção e a mudança cultural. Significa também que as crianças são circunscritas pela reprodução cultural (Bourdieu).


Cultura de pares (peer culture): conjunto estável de atividades ou rotinas, artefatos, valores e interesses que as crianças produzem e compartilham com seus pares, primariamente por meio da interação face a face.


Mas o mais legal do Corsaro é a proposta metodológica que consiste numa entrada em campo muito específica. Primeiro ele faz uma entrada reativa. Chega, senta e espera as crianças reagirem. Nada mal, já que os adultos não entendem muito bem como é que se chega num grupo infantil. É só fazer um teste: chegar num grupo de crianças e começar a perguntação adulta: Oi, como vai? O que vocês fazem aqui? Como você se chama? Perguntas que as crianças jamais fariam. Mas além disso, ele propõe que o adulto se comporte como um adulto atípico que, abrindo mão de sua autoridade, ganha um acesso privilegiado ao universo infantil.


O psicólogo César Ades explica que o adulto atípico Não é um retorno ao que o adulto foi um dia, mas uma forma de ele estabelecer um contato social diferente e, por meio dele, aprender como se aprende sempre através da interação. (p 128) ...“É preciso que o adulto desista um pouco, como num mundo de faz de conta, do poder que lhe confere o papel tradicional de adulto, como quem se agacha para falar com as crianças, estabelecendo uma proximidade ao mesmo tempo física e simbólica.”


Semana passada, fiz minha primeira inserção num grupo infantil experimentando esse adulto atípico. No segundo dia, participei do seguinte diálogo:


“_Você faz faculdade de quê?_perguntou a menina.


_De Educação._respondi.


_Ah, então você vai ser professora quando crescer?”


Uma pequena mostra de que o adulto atípico pode ajudar demais aos adultos que querem ter um acesso privilegiado aos grupos infantis.


_Cibele_

A infância no século XXI… segundo Quino

O autor da Mafalda, sempre muito direto.

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_Claudia_ (agradeço à Anna Mourão por me mandar as imagens)

 
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