Me lembrei de dois exemplos de medidas lúdicas em Educação.
1) Numa classe de Maternal I é muito comum que as crianças se mordam umas às outras. Já escrevi um artigo sobre isso, que foi publicado e re-publicado em todo tipo de site. Algumas crianças são mais mordidas que outras por diversos motivos, geralmente as que são mais “fofinhas” e que permitem maior aproximação. Difícil pros pais entenderem isso, principalmente se são pais de primeira viagem, que tendem a ser mais hiper-protetivos. Numa dessas situações, um pai sofria terrivelmente cada vez que seu filho era mordido na escola. E o menino era cada vez mais mordido. Um dia, a professora vai entregar o menininho pro pai no portão. Ele observa que o filho tinha nada menos que três sinais de mordidas, dois nos braços e um na bochecha. Olha pra professora com ar de desespero, e quase chorando diz:
- Mas o que é isso? Como você deixou que isso acontecesse?
E ela:
- Desculpe, pai, eu também queria dar uma mordida nele, afinal é tão fofinho e carinhoso. Mas não tinha mais espaço.
O pai me contou como essa medida lúdica o ajudou a compreender a situação e a ver a mordida com os olhos das crianças, sem a violência que nós adultos geralmente percebemos nela. Depois dessa constatação, “inexplicavelmente” a criança começou a se defender melhor e a avitar as mordidas dos colegas, sem contudo perder seu caráter afetuoso.
2) Uma mãe controlava bem de perto a alimentação do filho de 3 anos, evitando açúcar, guloseimas, etc. Seu lanche era especial e ela tinha orientado a escola de suas escolhas dietéticas, que eram sempre cumpridas à risca. Um dia, porém, durante uma festinha de aniversário de uma colega na escola, a mãe da aniversariante, não sabendo da situação, serviu coca-cola ao menino, antes mesmo que a professora pudesse intervir em contrário. A professora então achou por bem não retirar a bebida dele bruscamente para não chamar a atenção, deixou-o provar e depois, com muita delicadeza, substituiu o copo por suco de fruta, perguntando-lhe se queria “beber mais alguma coisa”. O menino continuou se divertindo na festinha e tudo parecia tranquilo. No dia seguinte, a mãe entrou com um passo pesado na escola para falar com a coordenadora. Estava muito aborrecida.
- Eu soube que meu filho ontem foi aplicado na coca-cola. – disse, franzindo as sombrancelas. Ao que a coordenadora respondeu sem titubear:
- Não se preocupe, o copo era descartável.
Através desta medida lúdica a mãe percebeu seu exagero, pôde pensar no caráter social dos alimentos e rever muitos conceitos que tinha estabelecido rigidamente para si mesma e para o filho.
_Claudia_