quarta-feira, 29 de junho de 2011

Parque de Diversões

A Globo descobriu tudo e fez uma série de quadros no Fantástico sobre o que já tínhamos desconfiado aqui no Quintarola. A verdade sobre as brincadeiras do parque de diversões e o que há por trás de tanto doce e cores primárias. O nosso post aqui e a série do Fantástico, acolá.

_Cibele_ pensando em uma medida lúdica

terça-feira, 28 de junho de 2011

Enquanto a Cibele se prepara…

Me lembrei de dois exemplos de medidas lúdicas em Educação.

1) Numa classe de Maternal I é muito comum que as crianças se mordam umas às outras. Já escrevi um artigo sobre isso, que foi publicado e re-publicado em todo tipo de site. Algumas crianças são mais mordidas que outras por diversos motivos, geralmente as que são mais “fofinhas” e que permitem maior aproximação. Difícil pros pais entenderem isso, principalmente se são pais de primeira viagem, que tendem a ser mais hiper-protetivos. Numa dessas situações, um pai sofria terrivelmente cada vez que seu filho era mordido na escola. E o menino era cada vez mais mordido. Um dia, a professora vai entregar o menininho pro pai no portão. Ele observa que o filho tinha nada menos que três sinais de mordidas, dois nos braços e um na bochecha. Olha pra professora com ar de desespero, e quase chorando diz:

- Mas o que é isso? Como você deixou que isso acontecesse?

E ela:

- Desculpe, pai, eu também queria dar uma mordida nele, afinal é tão fofinho e carinhoso. Mas não tinha mais espaço.

O pai me contou como essa medida lúdica o ajudou a compreender a situação e a ver a mordida com os olhos das crianças, sem a violência que nós adultos geralmente percebemos nela. Depois dessa constatação, “inexplicavelmente” a criança começou a se defender melhor e a avitar as mordidas dos colegas, sem contudo perder seu caráter afetuoso.

2) Uma mãe controlava bem de perto a alimentação do filho de 3 anos, evitando açúcar, guloseimas, etc. Seu lanche era especial e ela tinha orientado a escola de suas escolhas dietéticas, que eram sempre cumpridas à risca. Um dia, porém, durante uma festinha de aniversário de uma colega na escola, a mãe da aniversariante, não sabendo da situação, serviu coca-cola ao menino, antes mesmo que a professora pudesse intervir em contrário. A professora então achou por bem não retirar a bebida dele bruscamente para não chamar a atenção, deixou-o provar e depois, com muita delicadeza, substituiu o copo por suco de fruta, perguntando-lhe se queria “beber mais alguma coisa”. O menino continuou se divertindo na festinha e tudo parecia tranquilo. No dia seguinte, a mãe entrou com um passo pesado na escola para falar com a coordenadora. Estava muito aborrecida.

- Eu soube que meu filho ontem foi aplicado na coca-cola. – disse, franzindo as sombrancelas. Ao que a coordenadora respondeu sem titubear:

- Não se preocupe, o copo era descartável.

Através desta medida lúdica a mãe percebeu seu exagero, pôde pensar no caráter social dos alimentos e rever muitos conceitos que tinha estabelecido rigidamente para si mesma e para o filho.

_Claudia_

domingo, 26 de junho de 2011

E aí vai o meu desafio pra você

Cibele Carvalho, você tem UMA SEMANA para:
  • Pensar em uma situação desagradável ou injusta ou absurda enfim, que você gostaria de mudar;
  • Selecionar uma medida lúdica para resolvê-la ou ao menos explicitá-la, fazer refletir sobre ela, é claro, dentro dos parâmetros da ludicidade;
  • Planejar a medida;
  • Executá-la e ...
  • Fotografar e/ou narrar os resultados, postando-os aqui!
Tá valendo a partir do momento em que você ler este post!
Beijocas! =)

_Claudia_ (esse é só o primeiro, depois vou te dar temas cabeludos pra escrever hehe)

sábado, 25 de junho de 2011

Resposta mais rápida que um gatilho: Infância e infâncias

girotondo

Uma coisa que aprendi com os anos, Ci. O melhor modo de enfrentar questões complexas como esta que você me coloca é não complicar muito e divagar.

Divagando – isto é, sendo duas vezes vaga hehe – eu já começo duvidando da colocação arièsiana de que a infância é um conceito tardio na história da humanidade. Sei não, tenho lido outras vertentes e estou quase convencida de que esse conceito existe desde o início, só que não interessava, por motivos diversos, reconhecê-lo e dar-lhe o valor devido, já que isso significaria tratar as crianças em modo mais decente (como nunca foram tratadas, idade contemporânea incluída). Mas bem, só isso já daria um artigo e não cabe num post então deixo só a poeira levantada e parto já pra coisa da universalidade da infância.

Também divagando tendo a considerar em relação dialética e muito retro-alimentadora os efeitos de cultura e biologia na constituição da(s) infância(s). As duas colaborando mutuamente, nem mais nem menos pra cada lado. Daí que, no que tem de biologia sobressaem as semelhanças (a universalidade) entre as diversas infâncias, no que tem de cultural sobressaem as diferenças.

“Na nossa espécie” – diz Barbara Rogoff - “cada geração vem ao mundo predisposta a adotar os usos e costumes dos nossos antepassados, graças à condivisão de uma série de atividades promovidas culturalmente”.

Eu acho as crianças italianas muito diferentes das brasileiras. Uma coisa que chama muito a atenção é como as crianças brasileiras se comunicam principalmente com o corpo e só depois estabelecem um contato verbal. Com as crianças italianas ocorre justamente o contrário: são capazes de uma retórica impressionante desde o primeiro contato, mas só depois de muita convivência começam a se expressar corporalmente. São mais contidas, mais obedientes, mais preocupadas com a opinião do adulto sobre suas produções. Até sua brincadeira é mais contida, mais limitada. É muito mais fácil trabalhar com as crianças italianas que com as brasileiras, por um lado, mas muito mais difícil por outro, porque eu fico sempre querendo provocá-las pra ver se conseguem “sair da toca” e compreender que podem participar do processo de construção de regras, por exemplo. (Aliás, isso é outra coisa que chama a atenção aqui, o modo impessoal com que as regras são colocadas).

Você vê como cada frase desse post daria outros e mais outros…

_ Claudia _

Paesaggio bimbo1

PS.: Sobre o sol, a resposta é SIM, as crianças daqui também desenham e muito o solzinho estereotipado no canto da página ou no alto. A representação desses ícones (sol, árvore, montanhas, casa) não varia muito não, e parecem não estar em relação com o que vêem no ambiente, mas com símbolos mais profundos.

Deixo um link de um site de desenhos de crianças italianas retratando paisagens.

http://www.arteinfantile.it/paesaggi.htm

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Primeira medida lúdica quinteira: um desafio

Seguinte. Eu e a Clau inventamos um jeito de postar diferente que vai ser assim. Como num repente, num desafio, cada uma propõe um tema pra outra desenvolver.




Vou ser a primeira porque de longe não dá pra tirar par ou ímpar e a vez me foi gentilmente cedida (além do quê eu ganharia de qualquer jeito, hohoho).




Então, lá vai o meu tema de post pra Clau que tem, no máximo, uma semana pra escrever sobre isso:




Seguinte…a gente sabe que a infância é uma ideia social e historicamente construída e que criança sempre houve, mas infância não. Então eu queria saber se você consegue enxergar, já que a sua formação é em psicologia, alguma universalidade na infância. Isso é, há alguma característica que você veja como universalmente constituinte da infância? Sim, não e porque. Mas tem mais…há alguma característica na infância italiana que você bata o olho e reconheça como sendo também brasileira? E diferenças? No seminário do Corsaro, uma professora perguntou se as crianças italianas também desenham aquele sol no canto da folha ou se isso era uma característica das crianças de um país tão ensolarado como o nosso. Como ele não respondeu, passo a bola.




Essa foi até fácil…vou pensar aqui num tema mais saia justa pra semana que vem.




Clau, Pode mandar a minha. E os leitores também podem participar.




beijos,




_Cibele_


PS: Para saber o que é uma medida lúdica, vide dois posts abaixo.

Metapostando

Os blogs trazem uma estranha incoerência. Ao mesmo tempo que captam, a exemplo de um diário, fluxos de ideias inacabadas e provisórias, eles perduram na internet desafiando o tempo. No fim das contas, os blogs deveriam ser lidos em movimento e os posts acabam fazendo muito menos sentido fora da ciranda em que foram colocados.

Por isso um post é sempre uma ameaça de mudar de ideia. É no máximo uma provocação despretenciosa calçando havaianas. Mas recortado, parece  um texto mais pronto, cheio de autoridade. Mesmo quando veio de um quintal.

_Cibele_

terça-feira, 21 de junho de 2011

Medidas Lúdicas

Esse é um conceito que inventei há uns tempos atrás e que incentivava muito os educadores e pais a utilizar. Agora, na minha onda pessoal de conceituar tudo e todos, resolvi escrevê-lo e percebi que, mesmo obviamente não sendo totalmente meu (todo conceito provém de outros muitos conceitos, este deriva principalmente do conceito de “analisador” nos estudos de Análise Institucional) é um conceito que saiu da minha experiência como educadora e orientadora de pais.

Sempre preferi usar medidas lúdicas a medidas pedagógicas, ou a conselhos, por exemplo, sempre me senti melhor com elas e sempre considerei muito mais extensos (e intensos) os resultados que obtive, seja com grupos de crianças que com adultos.

Medidas Lúdicas são intervenções constituídas de frases, atitudes, comportamentos ou ferramentas leves, mas pontuais o suficiente para resolver ou analisar determinadas situações através do uso de elementos lúdicos, provocando, com sua simplicidade e poesia, muitas vezes irônica, uma reflexão profunda sobre determinada realidade.

As crianças as usam continuamente, é um seu modo de lidar com quase tudo. Nós adultos, para usá-las precisamos de certa consciência a seu respeito, e de muita reflexão, pois em nós raramente são espontâneas. Exceto nos palhaços e em alguns artistas muito agudos.

Não é coisa fácil usar uma medida lúdica, mas se a gente observar bem elas estão em toda parte, fazendo as pessoas pensarem e mudarem de atitude. Hoje mesmo dei de cara com uma, numa notícia de jornal em que hackers instalaram um vírus no site beautifulpeople.com, e fizeram com que o famoso software que divide as pessoas entre “belas” e “feias” (expulsando as últimas e fazendo as primeiras pagarem uma mensalidade de 25 dólares pra figurar entre os belos), de repente e inexplicavelmente aceitasse mais de 30 mil pessoas totalmente fora de seus padrões estereotipados de beleza. Esta intervenção colocou em cheque todo um sistema de poder e de verdades estabelecidas, ao menos por um breve período de tempo.

Tem o cara que dança na estação de metrô na hora do hush, a professora que “perde a voz” quando as crianças estão fazendo muito barulho na classe, a mãe que coloca o cocô de plástico em cima da mesa do jantar pra conversar com o filho bagunceiro, o jornalista que se infiltra na festa VIP pra tirar onda com os convidados… enfim, são muitos os exemplos. Se vocês prestarem atenção, vão ver que existem muitos resistentes que se utilizam dessas medidas pra fazer valer, ludicamente, alguns valores já tão depreciados socialmente.

_ Claudia_

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Mais Barbie e Ken (agora envolvidos em questões ecológicas e políticas)

O Greenpeace acaba de lançar uma campanha chamada “Barbie, te abandono!” contra o uso de papel proveniente das florestas da Indonésia, que estão sendo devastadas, nos pacotes da multinacional de brinquedos Mattel, fabricante da boneca.

Barbie

Segundo o Greenpeace, a Mattel (e também a Lego, a Disney e a Hasbro, outros importantes fabricantes de brinquedo) compram papel da Asia Pulp and Paper (APP), o “maior desflorestador do mundo”.

No video apresentado pelo Greenpeace, Ken, muito chateado e desconcertado, abandona, ao vivo na TV, a namorada, porque ela se empacota destruindo as flortestas fluviais. O vídeo obteve nada menos que 1 milhão de visualizações e isso parece ter despertado a Mattel, que no dia seguinte já assumiu publicamente seu envolvimento no processo de desflorestamento e prometeu providências a respeito. A Lego também anunciou que no futuro utilizará só papel reciclado ou certificado para empacotar seus brinquedos. Da Disney e da Hasbro ainda não se obteve nenhuma resposta.

_Claudia_ na onda dos bonecos mais colecionados do mundo

 
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