terça-feira, 31 de agosto de 2010

Diário da Amazônia – parte 2

Mais alguns trechinhos da Regina pra vocês.

“3. PESSOAS

Muita criança, muitas lindas crianças, cara de índio, cara de africano, misturas estranhas. Os meninos não crescem bonitos, as meninas sim, só que aos 25 anos já tem no mínimo 5 filhos, tô me perdendo nas árvores genealógicas locais, todo mundo é sobrinho de todo mundo, muitas famílias beeem alargadas, mó confusã. Todos aparentam ser limpíssimos mas as poucas casas que conheci são desarrumadas, toscas, sujas até. Tudo com televisão. O escritório tem energia solar das 7 da manhã às 6 da tarde. O resto da comunidade tem energia de gerador das 3 da tarde às 11 da noite. Quando se liga a luz à tarde logo tem um aparelho de som, além do próprio barulho do gerador. Paciência, aproveito o som da natureza nas horas restantes.

4. SONS

Aqui não existe silêncio, é muito bicho fazendo barulho! Galos, galinhas, patos, urubus, cachorros, gatos, sapos, morcegos e dezenas de passarinhos são a trilha sonora dentro da comunidade. Outro dia tinha um ruído altíssimo, achei que era um problema no gerador, me explicaram que era uma cigarra. Parecia uma guitarra elétrica distorcida, impressionante. Nos passeios de canoa a trilha muda pra pássaros e peixes, principalmente botos e tucunarés que aparecem na superfície, bufam e fazem splash. Na floresta os pássaros são centenas, às vezes a floresta é mais barulhenta que Hong Kong na hora do rush.

5. PACA, TATU, COTIA SIM!

Aqui tem os três bichos mas até agora eu só consegui ver cotias, pois os outros são animais noturnos.

Geralmente vou desligar o interruptor da internet, ele fica no escritório, no cantinho preferido de um condomínio de morcegos, o chão cheio do cocô preto deles, arghhhh! Onde quer que eu entre, seja no meu quarto que no banheiro, olho tudo em volta e acho sempre alguma aranha, grilo, louva a deus, besouros, mariposas, marimbondos e uma infinidade de outros insetos a mim desconhecidos. Por ficar no meio da área da comunidade, a maloca recebe menos visitas zoológicas que a casa da Laura, que fica no final da aldeia: de fato ela e Maddalena chegam semrpre com histórias de lagartos, lagartixas, ratos até cobras. Ui!

E assim passam os dias por aqui… dêem uma olhada nas fotos, muitas são de um passeio na floresta, onde vi tanta variedade de folhas, de todos os tamanhos, formas e cores. Vi também macaco prego e macaco aranha, pica-pau, minúsculos ninhos de beija-flor, formigueiros e cupinzeiros gigantescos, cocô de onça cheio de pelos, castanhas e pitombas, que não fotografei!”

Regina Marques

_ Claudia_

domingo, 29 de agosto de 2010

Linha de papagaio

A Editora Peirópolis está desenvolvendo uma linha chamada “Cultura da Infância” que está bem legal. Nem precisa falar muito se quem abre a lista é nada menos que o nosso querido “Barangandão Arco-íris”, do Adelsin.

E tem mais livros dele por lá!

Confiram aqui.

_Claudia_

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Diário da Amazônia – parte 1

A Regina, aquela minha amiga que foi viver numa comunidade na Floresta Amazônica, tem escrito umas coisas tãaao lindas sobre essa experiência que resolvi ir colando uns trechos aqui pra compartilhar com vocês. Especialmente pra você, Fefê =)

1. A VIAGEM ATÉ XIXUAÚ

“Manaus, calor indescritível. O Certeza consegue zarpar às 6 da tarde. Já está escuro, o programa é caipirinha, jantar, armar rede, ler e dormir.

A viagem: árvores, árvores, árvores, de vez em quando pássaros, tucanos, botos cinza-rosados. Céus incríveis.

Às vezes se navega no meio do rio, às vezes rentinho à mata, dependendo de onde a corrente é melhor. A água é da cor da coca cola. Ilhas, ilhotas, estamos no segundo maior arquipélago fluvial do mundo, e o primeiro fica também dentro da Amazonia. Estou aprendendo montes de coisas com Kleber, Marina, Jô, Robert, Barry e Manu, companheiros desta viagem, cada qual com um motivo para estar aqui e agora, cada qual com mil histórias a contar. Fala-se inglês, italiano, português, caboclês.

2. A COMUNIDADE

A comunidade é pobrinha mesmo, montada em palafitas de madeira. É a estação das águas altas mas as casas estão sempre na parte seca. Centenas de borboletas amarelas passeiam pela aldeia, uma visão de verdadeiro paraíso. Nós visitantes nos alojamos numa maloca, construção circular cujos cômodos são gomos do círculo. Tenho um quarto só pra mim, imenso, com duas camas. Nada de mosquiteiros, nada de mosquitos, me dizem, apesar de uma invasão de borrachudos que durou três dias na semana passada, e que pode se repetir. Na verdade estou toda picada mas não sinto nada, só vejo as marcas. Durmo bem, não faz calor.

Refeições: tudo muito bom, arroz, feijão, verduras, sempre com peixe, pacu, piranha e surubim, todos com muitas espinhas...

Desde ontem fiz dois passeios de canoa pelo igapó, a floresta parcialmente submersa.

Não há como descrever as sensações e emoções dessa imersão na natureza daqui. Todos os sentidos estão estimulados, presentes. Os jogos da luz do sol criando obras de arte com as cores da floresta, os espelhos d’água criando esculturas mutáveis com a passagem da canoa. Os perfumes.

Os silêncios, o ruído delicado de quando a canoa roça uma folha ou uma árvore, o remo que quase não é usado. Guri, nosso guia, chama os animais, nos aponta bichos que jamais veríamos sem a sua ajuda. Reconhece, pelo grasnado, se a arara que passa lá em cima é vermelha ou amarela. O momento mais emocionante é o das ariranhas, bichos esquivos que Guri chama com um canto que parece o de um carneiro chorão. Conseguimos ver de perto uma família de três, ágeis na água e desajeitadas na beira. Vimos martim pescador, tucanos briguentos, gaviões, japins, galegas, e outros pássaros que não vou me lembrar o nome, vários tipos de aranhas, e, bem na comunidade, um jacaré esfomeado, assustador.

Depois de amanhã acaba a sopa, começo a trabalhar”.

(Regina Marques)

Vejam fotos nesse link aqui… e acompanhem em outros posts o que mais ela tem contado.

_Claudia_

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Post saidinho do freezer

Finalmente de volta a casa e ao teclado brasileiro (a Cibele não precisa mais acentuar meus posts, valeu, Ci!). Escrevo com a cabeça ainda meio zonza depois de uma viagem pra lá de cansativa (desta vez com o detalhe de duas horas seguidas de turbulência muito forte bem na zona de Recife e Fernando de Noronha onde caiu o avião da Air France ai ai ai, até superar o Equador, que sensação horrorosa!). Mas enfim, esse post ‘tava guardado há tantos dias, não via a hora de botá-lo pra fora.

Notícias da Bienal do Livro de São Paulo: meus livros foram lançados no Brasil de um jeito muito carinhoso e muito competente, com os bonecos dos personagens feitos sob medida pelo grande amigo Cauê Salles (bonecos esses que viajaram comigo aqui pra Milão) e animados com maestria pela Ana. O estande da Callis, sem falsa modéstia, era o mais lindo da Feira e ainda por cima todo sustentável, assinado pela arquiteta Vera Suplicy. Conversei com um monte de crianças e suas famílias, fiz dedicatórias, conheci muita gente boa, escritores, ilustradores, editores… reencontrei outros caros. Enfim, saldo pra lá de positivo. Voltei pra casa muito alimentada e feliz das minhas historinhas serem lidas no Brasil também.

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A grande discussão e a grande vedete da Bienal era o Livro Digital. Todo mundo impressionadíssimo com IPads e outros “tablets”, bibliotecas virtuais, sites de todo tipo.

A pergunta era: será que o livro digital vai substituir o livro impresso? Será que o livro de papel está com os dias contados? Se sim, isso é uma boa coisa ou um desastre?

Eu cá com meus botões fiquei pensando. O Livro Digital é um barato, uma linguagem ágil, interessante, atrativa e prática que tem tudo pra incentivar e muito a literatura, sobretudo infantil. Ter acesso a toda essa tecnologia é maravilhoso e super divertido pras crianças, traz um monte de coisas que nem dá pra listar, amplia as possibilidades, universaliza. O Livro Digital já tem seu espaço garantido, nem tem discussão. Mas daí a substituir o livro de papel é uma outra história.

O mundo virtual é tudo-isso sim, mas pra mim falta nele uma coisa básica: a vida. O virtual tem esse efeito colateral de ser um “simulacro da vida”, não vivo, uma “second life” que a gente tem sempre de prestar atenção, principalmente na formação das crianças. Nada substitui a vida … não quero dizer “real” porque o virtual tem a sua realidade, mas… vocês me entendem. A vida vai pra fora das telas e dos botões. E pra virar conceito precisa mesmo ir além, precisa ser vivida na sua inteireza. Esse discurso vale não só pro livro, mas pra tudo o mais (brinquedos, relacionamentos, culturas…).

Quem é que vai me dar o livro sujeito a um nascimento, a uma vida e a uma morte como todo objeto? E o cheirinho de novo quando chega da loja e de nosso depois que a gente o conquista? E as pagininhas amareladas, falando de sua longa existência? E as orelhas? E a possibilidade de restaurar quando rasga? E a biblioteca que precisa cuidar, limpar, colocar em ordem… que no domingo de manhã a gente resolve fazer um passeio nela, assim a esmo, redescobrindo velhos tesouros? E as imperfeições da vida impressas no livro de papel? É isso que faz História, que NARRA(eu adoro até os erros e as manchinhas de impressão).

Tá bem, tá bem, a vida acaba. Mas não precisa de bateria nem fica obsoleta a cada ano! =P

_Claudia_

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Tá quente!


Domingo tem Festival de Brincadeira de Rua do CLIC. De 9 ao meio dia, próximo a Praça JK.


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E mais...Olha a programação de setembro do Projeto Diversão em Cena. Pra começar tem Pato Fu, lançamento do CD Música de brinquedo. Dias 04 e 05, 16 hs, no Teatro Dom Silvério.


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Sobre o cd, o Idelber falou aqui. Os comentários dos leitores também trazem dicas bacanas.


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O Garrocho falou aqui sobre o lindo filme Toy Story 3.


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Esse número da Revista de História da Biblioteca Nacional é todo sobre a infância, esse fruto da modernidade. Mas essa matéira sobre os bilhetes deixados junto às crianças abandonadas me fez pensar em muitas coisas...


Dias agitados!


_Cibele_





sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Administrativo

Seguinte, até eu desafogar por aqui e Clau voltar, qualquer dia é dia de link e eu tentarei escrever alguma coisa mais no fim da semana.

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E...boas novas...finalmente o blogger criou um filtro para comentários spams. O quintarola agradece. Tava chato demais esbarrar com aliens no meio do terreiro.

Sem mais para o momento,

_Cibele_

A-ba-ca-xi




Olha que ideia genial, vinda lá do outro lado do mundo. Das garatujas aos desenhos mais formados e detalhados, as crianças vão representando o mundo a seu modo. Será? Acontece que todos os estudos sobre a infância caminham no sentido de colocá-las como sujeito ativo, que modifica a realidade, que dialoga com o mundo e por isso, produz cultura.

Realizar nas fotos a criação dos desenhos das crianças foi o trabalho intitulado Wonderland (2005) do fotógrafo coreano Yendoo Jung. Uma conversa muito legal sobre o quê representa o quê e se ainda faz sentido pensar em representações.
Os outros trabalhos do artista também trazem elementos da infância. Indico com força uma visitinha no blog do rapaz.
Beijos e bom fim de semana
Cibele




quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Notícias

Clau ligou agora a pouco se despedindo...a abusada volta amanhã pra Itália. E ainda me disse que, depois da maratona da bienal, vai tirar férias em alguma praia por lá. Francamente!
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Dica do Idelber: livro de ficção infanto-juvenil sobre um elemento forte da cultura popular divinopolitana. O Reinado de Bené, tem orelha da escritora Ana Maria Gonçalves. E o melhor, disponível aqui.
 
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