terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Sexismos

Uma amiga comprou pras suas gêmeas de dois anos a fantástica “mini-cozinha IKEA”  (no link se vê apenas a pia, mas vendem a mini-cozinha completa) e andam se deliciando mãe e filhas na brincadeira de fazer comidinha. O legal foi que, na loja, ela viu vários meninos experimentando o brinquedo com gosto, e diversos pais comprando pros filhos homens também, muito entusiasmados. Bons ventos!

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Minha amiga  considera que a quantidade de programas de TV de culinária, com cozinheiros e chefs homens, pode ter a ver com esse maior relaxamento dos pais em adquirir uma cozinha de brinquedo pro filhote. Isso e outras leeeentas mudanças que vêm acontecendo na mentalidade dos pais, acho. Até bem pouco tempo atrás eles ainda resistiam a essa ideia. A mini-cozinha era muito associada só às meninas, como o trenzinho, o carrinho, etc, eram associados só aos meninos.

(Lembrei de um período, no início do CLIC, em que tínhamos oficinas de corte e costura. Os meninos (homens) amavam, tanto quanto as meninas. Uma mãe me contou, naquela ocasião, de ter vivido uma situação interessante no ônibus, com o filho entusiasmado que lhe mostrava os novos pontos de costura. “Muita gente me olhou atraversado”, ela disse.)

A gente tá careca de saber que identificação sexual é importante. Mas sexismo… é coisa pra superar mesmo. Confinar brinquedos nesse ou naquele sexo é uma grande besteira. Mesmo porque isso não tem nada a ver com identificação sexual.

_Claudia_

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Futebol de botão e subbuteo

O Museu do Futebol em São Paulo é um dos museus mais interessantes que já visitei. Super bem montado, vivo, divertido, com ótimo acervo, é um passeio que vale a pena fazer, sozinho ou com a meninada. Diversão garantida.

Esse ano, estão promovendo lá um campeonato de futebol de botão. Leia aqui maiores informações sobre o evento. Taí um brinquedo sensacional, que agrada a gregos e troianas. Brinquei muito na infância, depois com meu filho na infância dele.

(Aqui na Italia o futebol de botão não existe. Eles têm o subbuteo, que é parecido e muito legal também. Aqui em casa temos várias edições históricas, do tempo que meu marido era menino, inclusive o inesquecível time do Brasil de 70, que sempre foi o seu preferido. Temos também um campo feito de feltro e desenhado delicadamente por ele mesmo).

_Claudia_

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Brincadeiras de papel

O velho e bom A4 branco, tão usado nas escolas, que me perdoe, mas o papel pode – e deve! – muito mais à Educação. É um material extraordinário se usado de acordo com todas (ou quase todas) as suas possibilidades.

Não só o papel comprado em loja, mas também os restos, o papel usado nas revistas, jornais, pacotes, cartazes, etc, ainda tem muito a oferecer. Principalmente se combinado com outros materiais recuperados.

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Como suporte o papel deve ser variado ao máximo: forma, tamanho, cor, textura, diagramatura. Todas essas variáveis são imprescindíveis para bons exercícios das crianças. Não é que o desenho infantil é excessivamente adaptado ao A4 branco? Imagine um pedacinho de papel pequeno, redondo, colorido,  poroso. Como seria o desenho?

Pensemos também em relação aos elementos que o papel é capaz de absorver: do simples lápis grafite às mais elaboradas aquarelas, passando pelo carvão e outros elementos naturais. Como se comporta a criança diante de cada um desses variados instrumentos?

Ou no papel consigo mesmo: recortes, dobraduras, colagens, reciclagens, a própria confecção do papel. Esculturas de papel. Maquetes. Modelos. Design. O milenar origami. Desafios!

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E por último aquelas brincadeiras fugazes – parecem simples entretenimento, mas escondem verdadeiras elaborações psíquicas: o jogo da velha, os pontinhos, a batalha naval, o sudoku. Liga-pontos, labirintos e outros milhões de divertimentos com nada mais que  papel e caneta. Recurso inesgotável de estímulo à inteligência.

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Bom divertimento!

_Claudia_

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Cinco assuntos quentes que vi por aí enquanto o bicho pegava

Não tá fácil, quinteiros. O bicho andou pegando a ponto de eu desejar imensamente que chegue o carnaval, mesmo as férias tendo a-ca-ba-do de acabar.

Peço minhas desculpas pela postagem lenta. Pensei várias vezes no quintal porque vi muitos assuntos importantes, mas me faltou (e ainda tem faltado) tempo pra elaborar melhor.

Vou tentar listar relevâncias quintarolescas que vi por aí

1) O lançamento sexista do Lego para meninas. Tá bem que considerar ofensivo talvez seja pesar muito nas cores, mas no mínimo, é um desserviço uma empresa tão bacana lançar um universo tão rico pros meninos_que vai de astronautas a piratas_e tão pobre pras meninas. Os comentários também são bem exemplares do quanto esse assunto ainda é pertinente.

2) Uma pesquisa apresentada pelo Le Monde mostra um aumento significativo no número de suicídios (pasmem!) por crianças francesas. Alguns acham que pode ser efeito da crise, mas é um fenômeno tão incomum, pra dizer o mínimo, que qualquer explicação agora é precipitada.

3) A artista francesa Joselyne Grivaud era uma fã da Barbie, mas ao contrário dos fabricantes do Lego, achava que o universo da boneca era muito bobinho, então ela resolveu alargar o universo barbiesiano e deu nisso.

4) A super Sil Falqueto, autora da ilustra linda desse blog, deu a dica da revista Bloc – literatura e arte infantil. Boooa, Sil!

5) E por último, a revista argentina de literatura infantil La Mancha, disponível no site Imaginária. Tem muita coisa legal por ali, mas lá no cantinho, no link músicas, você vê uma seleção de músicas infantis argentinas e foi ali que eu conheci e me apaixonei pela música da Mariana Baggio.

Bom, listei aqui cinco vezes em que me lembrei do Quintarola. Ou melhor, cinco vezes que eu me lembrei das vezes e que eu me lembrei. Com certeza, foram mais.

Inté!

_Cibele_

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Casos de escola

Quando a gente trabalha em escola não dá aquela vontade de ficar contando caso do que acontece por lá? É catártico! =)

ISM

Pois então. Queria iniciar uma série de posts com situações que acontecem na escola. Se vocês se aborrecerem me digam que páro logo!

É uma escola internacional. Idioma oficial: inglês. E está me acontecendo um fenômeno interessante: lá dentro, o italiano vira a minha primeira língua e o inglês passa a ser a segunda.  Dá um alívio quando encontro alguma colega italiana no bandejão e a gente pode bater papo em italiano! Resultado: meu italiano melhorou muito. E o português? Não sei pra onde vai! Sei que quando encontro as crianças brasileiras (tem muitas!) ele reaparece novinho em folha (elas adoram poder falar um pouquinho em português comigo).

Já ando infiltrando a Cultura Lúdica por lá. Por exemplo: fiquei dez dias substituindo uma professora de quarta série e, pra “ajudar” as crianças a caminharem pelos corredores em silêncio, ensinei a elas a brincadeira da “vaca amarela”, tão nossa conhecida. A-ma-ram e agora fazem entre si toda vez que querem silêncio. Deu até vontade de gravar a vaca amarela com sotaque inglês-italiano-japonês-indiano-turco-espanhol (em uma só classe tinha todas essas nacionalidades) pra mostrar pra vocês,  mas as leis de privacidade não permitem.

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Hoje dei uma aula sobre samba numa outra classe de quarta série. Isso porque vi uma apresentação deles em que pretendiam mostrar samba mas era um mambo! tsc tsc tsc Fui atrás da professora e disse não não não. Daí ela me chamou pra dar essa aula. Foi muito bacana. Ensinei a turma a dançar e tudo. E pra ilustrar usei a lindinha abertura do filme Rio.

Outro dia conto mais. Se vocês suportarem contação de caso, claro.

_ Claudia_

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Ser ou não ser

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A construção da Moral de uma criança é um trabalho tão delicado com o qual poucos adultos colaboram. É sempre mais fácil favorecer a heteronomia que a autonomia. Aliás, não se pensa muito nisso não: é “normal” adulto mandar e criança obedecer, é “normal” adulto castigar e criança ser castigada, tanto quanto é “normal” a criança agir “corretamente” (isto é, como o adulto diz) só pra ganhar o prêmio ou pra agradar o adulto. Hoje em dia tem sido “normal” também “largar essa coisa de regras pra lá”…

Precisa de muita reflexão ética e de muita firmeza pra querer colaborar nesse sentido; aliás sentido, é essa a palavra justa. Porque em tudo que se refere a crianças existe uma busca de sentido. Inclusive nas regras. O trabalho com as crianças passa necessariamente pelo sentido das coisas. Por isso é um trabalho muito mais CULTURAL que pedagógico.

Piaget escreveu um livro muito bom sobre a moralidade e pra quem não se importa de pelejar com o “estilo” de escrita  do grande epistemólogo suíço, aí vai a indicação.

O Juízo Moral na Criança, Jean Piaget, 304 págs., Ed. Summus.

Eu sempre pelejei e sempre valeu a pena.

Pra quem, ao invés, quer um texto breve e bem escrito sobre essa obra, tem esse artigo aqui que dá algumas noções importantes de um jeito bom.

Outra ótima fonte a respeito são os escritos do psicólogo Yves Della Taille, especialista em Psicologia Moral. Aqui um ótimo vídeo dele, mas guglando você encontra muito mais.

_Claudia_

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Os desenhos que não querem ver

A notícia corre por aí.  O Mocha (Museun of Childrén´s Art) de Oakland, nos Estados Unidos, cancelou a exposição de desenhos das crianças palestinas sobre os conflitos na Faixa de Gaza. 

Não achei, em lugar nenhum, uma justificativa do museu.

Uma pena que tenham cancelado. Outra pena, a realidade dos desenhos.

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Para ver outros e saber mais, clique aqui.

Ou no site do Movimento Palestina Livre.

_Cibele_

Céu aberto

Quando minha avó morreu, caía uma tempestade que parecia dizer: algo de extraordinário acaba de acontecer entre o céu e a terra. Um primo distante confirmou com uma crença de que quando morria alguém de coração muito bom, o céu vinha abaixo.

Já o Bartolomeu aguardou o dia mais bonito do verão. Um dia com um sol taxativo, inquestionável… e foi embora. Bem que pela manhã, empurrando a cortina, minha filha anunciou: hoje o céu está aberto.

O Bartolomeu que nasceu com 57 anos*, cujo coração (cheio de domingo**) quis tomar sol***, saiu voando do papel.

Hoje à noite, na minha cama, vou reler Pedro. Sem dúvida alguma um dos meus livros preferidos desde sempre.

Bartolomeu Campos Queirós  25/08/1944    +16/01/2012

_Cibele_

*para saber dessa história, leia o lindo texto do Bartolomeu “…das saudades que não tenho” no livro “O Mito da Infância Feliz. Aliás, convém ressaltar a enorme contribuição do Bartolomeu e da literatura do Bartolomeu para desconstruir esse ideal de infância feliz e nostálgica.

** sobre corações cheio de domingo, leia o Pedro.

*** sobre corações e o sol, leia Coração não toma sol.

 
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