sábado, 9 de abril de 2011

No lugar do outro


A moça que trabalha aqui na minha casa tem um filho de 14 anos. Depois das férias escolares, ela não voltou a matriculá-lo na escola pública perto da sua casa. Resolveu mudá-lo de escola e faltou alguns dias de trabalho pra ficar na fila de outras instituições. Não conseguiu nenhuma vaga. Alguma lei ou regulmento determina que as crianças precisam ser matriculadas perto de casa. O endereço determina assim o destino escolar dessas crianças e a escola segue reproduzindo as desigualdades sociais.




A moça que trabalha aqui em casa queria uma escola melhor pro filho dela, mas como não conseguiu, resolveu deixá-lo fora da escola. Fiquei chocada com a solução. Como assim ficar sem escola? Tem certeza que é a melhor opção? Cheguei a questioná-la sobre isso na tentativa de ajudá-la. Ela me respondeu que na antiga escola, o filho se envolveu com drogas e que não gostaria que ele voltasse pra lá.




Aos poucos fui conseguindo sair do meu lugar de defensora ingênua da educação para me colocar no lugar da pessoa com quem passo boa parte do meu tempo. Essa semana, quando eu e ela ouvimos a notícia do massacre na internet, nos entreolhamos em silêncio. E nessa hora, entendi.

Clau, não sei se você acompanhou... tá aqui. E é muito, muito triste. _Cibele_

3 comentários:

Claudia Souza disse...

Fiquei sabendo só hoje de manhã. Tristíssimo... Fico sem palavras diante desses fatos que mais parecem pesadelo que realidade.

Adriana disse...

Olá Cibele e Claudia,

É por essas e por tantas outras, que eu digo que lugar de criança e de Educador não é na Escola.

Cibbele Carvalho disse...

Eu já acho que deveriam mudar a escola e não os educadores e os alunos de lugar. Todo lugar onde há aluno e professor é uma escola, oras...E nem tô falando da educação em sentido amplo.

 
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