Nem vou falar muito sobre a bola, mas queria destacá-la. Queria me referir a ela como o brinquedo que representa o movimento, a relação, a troca e até, por que não, a disputa honesta.
A bola dialoga com as crianças (com as pessoas!) de todos os modos possíveis e impossíveis. É simbólica, é divertida, é simples, é propositiva, é diversa, é altamente “brincável”.
Do universo da bola extrai-se tantas possibilidades de jogo e de diversão, entre elas as bolinhas de gude. Quando crianças, fazíamos os circuitos na terra batida. Mas estes circuitos podem ser construídos de todo jeito, incorporando, ao verdadeiro manancial de Cultura Lúdica que essas simples esferas de vidro comportam, desafios pra lá de inusitados. As regras são complexas e maleáveis, podendo facilmente ser adaptadas às diversas circunstâncias e ao bel prazer dos jogadores.
Aqui na Itália, um grupo de estudiosos criou A Universidade das Bolinhas de Gude. No Festival de Brincadeiras de Rua de Verona, vi um circuito enorme montado no meio da rua, onde muitas crianças se divertiam com elas. Em Araçuaí, Minas Gerais, nas minhas viagens de estudos com as educadoras crecheiras, vi os meninos construírem um circuito esculpido num tronco de árvore.
Enquanto escrevo me vem a velha canção do velho filme Lost Horizon, “The world is a circle and never begins, nobody knows where the circle ends…”. Verdade. Nunca começa. E a bola lembra que nunca termina.
_Claudia_


