sábado, 17 de março de 2012

Coleção de caixinha de músicas

Uma caixinha de música é uma delicadeza, uma vulnerabilidade, um segredo, uma fragilidade. Elas costumam falar de uma coisa ausente (no tempo ou no espaço) que insiste em se fazer lembrar.

Foi bem assim: eu estava pensando justamente nessas delicadezas, segredos, vulnerabilidades e fragilidades quando caíram no meu colo duas caixinhas:

Ulisses Conti

Essa primeira é do Ulisses Conti, um músico cujo trabalho  descobri recentemente e gostei muito, muito. Indico fortemente uma busca no google e no you tube.

Depois, um amigo compartilhou no facebook,

a Valsa da Amèlie, aquela moça que sabia cuidar das caixinhas dos outros.

E aí comecei uma coleção de caixinhas enooorme, que nem cabe aqui no Quintal. Mas queria compartilhar só mais duas. A história contada pela Regina Spektor sobre como ela se sente presa na melodia repetitiva e infantil da caixinha:

 

E por último, um pedaço de história triste sobre o que acontece quando a caixinha de música cai nas mãos erradas:

Por isso, atenção! Quando estiver com uma caixinha de música nas mãos, esteja a altura da pequeneza dela.

_Cibele_

sexta-feira, 2 de março de 2012

Os palcos de Tina

Hoje em dia, mais que nunca, Educação tem muito mais a ver com Cultura que com qualquer outra coisa. E Cultura tem muito mais a ver com símbolos que com qualquer outra coisa.

Concordam?

Olhaqui um exemplo: usando suas habilidades de cenógrafa, uma professora de primeiro período  criou, junto com suas crianças, alguns  cenários dentro de sua sala de aula. Feitos em modo simples, basicamente em papel e tecido, esses ambientes servem  pras crianças  soltarem a fantasia e assim produzirem mais e mais símbolos. Coisa que só enriquece o dia a dia do grupo.

Achei um barato e fiz fotos procês verem também.

A nave espacial:

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O navio dos piratas:

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O castelo, aberto e fechado.

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Tudo dá pra entrar dentro e brincar até falar chega. Não é uma ótima ideia?

Criançada sortuda essa de ter uma professora assim.

_ Claudia_

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A musa do Parque Guanabara

Tenho muitas memórias da minha infância no Parque Guanabara.  Por ser um espaço tão familiar, nunca tinha me perguntado_ afinal, por que cargas d´água a roda gigante do parque fica de costas pra Lagoa da Pampulha. A questão foi colocada por meu irmão num encontro familiar e reproduzida nesse post.

Em uma visita ao parque em maio do ano passado, conheci a nova e linda roda gigante, fato que constado aqui.

Mas ontem… ontem foi demais! Eu andei (esse verbo cabe?) na roda gigante. Ela é linda, altíssima e tem uma vista ma-ra-vi-lho-sa de Belo Horizonte. A Lagoa, o Mineirão, o Mineirinho…fui no início da noite, querendo mesmo ver as luzes do parque, mas vou voltar em breve pra ver tudo sob a luz do sol.

Altamente indicado para crianças, adultos amantes da cidade, adultos desiludidos e saudosistas.

Não esqueçam de levar a máquina fotográfica! Olhem os meus click’s:

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_Cibele_

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Uma história entre amigos, debaixo de uma mangueira ou talvez numa rede. Quem sabe se houvesse uma fogueira…

Não sei se a história que vou contar cabe aqui, mas estou considerando que qualquer história bonita combina com um quintal.

Há alguns anos atrás, li numa aula de francês um artigo que mencionava um tal de “folclore obsceno das crianças” e fiquei tão intrigada que corri atrás do livro (isso significou importar um livro francês, usado, num sebo on-line americano e em seguida a sua tradução por uma editora de Barcelona na Argentina também via internet). Fiquei com essa pulga atrás da orelha até que ela se transformou num projeto de mestrado.

Por causa desse projeto (e mais um penduricalho de outras questões) fui parar na análise. Comecei a saber mais sobre Claude Gaignebet, autor do Le Folklore Obscène des Enfants. Descubro que ele nasceu na Síria, um típico pied-noir, além de ser um rabelaiseano que defendeu a tese desse livro que tanto me interessa, no ano de 1968 sob a orientação de Roger Bastide e tendo na banca Lacan. Procuro aqui e ali e tenho algumas intuições sobre a pessoa dele, uma enorme simpatia, algumas idealizações e claro, muita curiosidade.

Ano passado, em dezembro, decidi escrever pra ele. Quem está no meio acadêmico aprende logo a não cortar os pulsos quando não obtem uma resposta, mas, pra minha surpresa, a dele chega em menos de 40 hs. Ele é educado, generoso, receptivo e me promete uma resposta em breve, tão logo possa recolher as indicações que lhe peço.

Sei que Claude Gaignebet é conhecidamente erudito, além de um defensor de áreas de conhecimento em franca (e injusta, na minha opinião) decadência. Discordo da teoria dele em vários pontos e isso de forma alguma diminui minha enorme empatia. Acredito que essa identificação se deva ao fato de que o meu estudo tem me permitido cada vez mais me conciliar com a criança que eu fui. E vamos combinar que isso não é pouca coisa.

Até que em fevereiro agora, tomo um susto ao abrir meu e-mail. O senhor de 74 anos com quem eu começava a me corresponder havia falecido. Ele não estava doente, ao contrário, tinha muitos projetos.

Eu estava cansada naquele dia e devo dizer que as lágrimas escorreram ininterruptamente. E assim continuaram nos dias seguintes. Passados três dias, escrevo pra mulher que intermediava a minha correspondência com ele. Uma aluna? Sua mulher? Secretária? Amiga? Pouco me importa agora. Escrevo dizendo que sinto muito. As palavras são muito deficitárias nesses momentos, menos ainda se não estão no idioma da gente. Acho mesmo que ficou aqui um resto que talvez eu não tenha conseguido falar. Envio o e-mail quase como uma mensagem ao mar. A resposta vem ainda mais rápida que a primeira. Ela me conta da humanidade dele, da partida dele, dos projetos dele. Estou envolvido com os dois até o último fio dos cabelos. Durmo mal. Choro à toa. Perco a fome. Não tiro um sorriso do rosto de gratidão pelo presente que ela me dá com suas descrições. Alguns dias depois ela parte para longe, se despede e nossa correspondência termina.

Aos poucos vou me dando conta de que se ele não era um guru, um mestre, (e tampouco sua obra uma bíblia), ele era ao menos (se é que isso é pouco) uma espécie de pai teórico e que há motivos de sobra pra me sentir muito sozinha. Não há pesquisa sem autonomia intelectual, mas isso não impede que a gente marque as referências que nos são importantes.

De lá pra cá, ando calada, introspectiva, mas cada dia melhor. Estou investindo em comfort food, comfort people, comfort drink, comfort jeans e outros comfort´s.

Pensando bem, até que demorou pra eu vir aqui.

Devo dizer que a minha pesquisa segue como uma espécie de homenagem.

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Claude Gaignebet (1938, +2012)

_Cibele_

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Sexismos

Uma amiga comprou pras suas gêmeas de dois anos a fantástica “mini-cozinha IKEA”  (no link se vê apenas a pia, mas vendem a mini-cozinha completa) e andam se deliciando mãe e filhas na brincadeira de fazer comidinha. O legal foi que, na loja, ela viu vários meninos experimentando o brinquedo com gosto, e diversos pais comprando pros filhos homens também, muito entusiasmados. Bons ventos!

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Minha amiga  considera que a quantidade de programas de TV de culinária, com cozinheiros e chefs homens, pode ter a ver com esse maior relaxamento dos pais em adquirir uma cozinha de brinquedo pro filhote. Isso e outras leeeentas mudanças que vêm acontecendo na mentalidade dos pais, acho. Até bem pouco tempo atrás eles ainda resistiam a essa ideia. A mini-cozinha era muito associada só às meninas, como o trenzinho, o carrinho, etc, eram associados só aos meninos.

(Lembrei de um período, no início do CLIC, em que tínhamos oficinas de corte e costura. Os meninos (homens) amavam, tanto quanto as meninas. Uma mãe me contou, naquela ocasião, de ter vivido uma situação interessante no ônibus, com o filho entusiasmado que lhe mostrava os novos pontos de costura. “Muita gente me olhou atraversado”, ela disse.)

A gente tá careca de saber que identificação sexual é importante. Mas sexismo… é coisa pra superar mesmo. Confinar brinquedos nesse ou naquele sexo é uma grande besteira. Mesmo porque isso não tem nada a ver com identificação sexual.

_Claudia_

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Futebol de botão e subbuteo

O Museu do Futebol em São Paulo é um dos museus mais interessantes que já visitei. Super bem montado, vivo, divertido, com ótimo acervo, é um passeio que vale a pena fazer, sozinho ou com a meninada. Diversão garantida.

Esse ano, estão promovendo lá um campeonato de futebol de botão. Leia aqui maiores informações sobre o evento. Taí um brinquedo sensacional, que agrada a gregos e troianas. Brinquei muito na infância, depois com meu filho na infância dele.

(Aqui na Italia o futebol de botão não existe. Eles têm o subbuteo, que é parecido e muito legal também. Aqui em casa temos várias edições históricas, do tempo que meu marido era menino, inclusive o inesquecível time do Brasil de 70, que sempre foi o seu preferido. Temos também um campo feito de feltro e desenhado delicadamente por ele mesmo).

_Claudia_

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Brincadeiras de papel

O velho e bom A4 branco, tão usado nas escolas, que me perdoe, mas o papel pode – e deve! – muito mais à Educação. É um material extraordinário se usado de acordo com todas (ou quase todas) as suas possibilidades.

Não só o papel comprado em loja, mas também os restos, o papel usado nas revistas, jornais, pacotes, cartazes, etc, ainda tem muito a oferecer. Principalmente se combinado com outros materiais recuperados.

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Como suporte o papel deve ser variado ao máximo: forma, tamanho, cor, textura, diagramatura. Todas essas variáveis são imprescindíveis para bons exercícios das crianças. Não é que o desenho infantil é excessivamente adaptado ao A4 branco? Imagine um pedacinho de papel pequeno, redondo, colorido,  poroso. Como seria o desenho?

Pensemos também em relação aos elementos que o papel é capaz de absorver: do simples lápis grafite às mais elaboradas aquarelas, passando pelo carvão e outros elementos naturais. Como se comporta a criança diante de cada um desses variados instrumentos?

Ou no papel consigo mesmo: recortes, dobraduras, colagens, reciclagens, a própria confecção do papel. Esculturas de papel. Maquetes. Modelos. Design. O milenar origami. Desafios!

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E por último aquelas brincadeiras fugazes – parecem simples entretenimento, mas escondem verdadeiras elaborações psíquicas: o jogo da velha, os pontinhos, a batalha naval, o sudoku. Liga-pontos, labirintos e outros milhões de divertimentos com nada mais que  papel e caneta. Recurso inesgotável de estímulo à inteligência.

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Bom divertimento!

_Claudia_

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Cinco assuntos quentes que vi por aí enquanto o bicho pegava

Não tá fácil, quinteiros. O bicho andou pegando a ponto de eu desejar imensamente que chegue o carnaval, mesmo as férias tendo a-ca-ba-do de acabar.

Peço minhas desculpas pela postagem lenta. Pensei várias vezes no quintal porque vi muitos assuntos importantes, mas me faltou (e ainda tem faltado) tempo pra elaborar melhor.

Vou tentar listar relevâncias quintarolescas que vi por aí

1) O lançamento sexista do Lego para meninas. Tá bem que considerar ofensivo talvez seja pesar muito nas cores, mas no mínimo, é um desserviço uma empresa tão bacana lançar um universo tão rico pros meninos_que vai de astronautas a piratas_e tão pobre pras meninas. Os comentários também são bem exemplares do quanto esse assunto ainda é pertinente.

2) Uma pesquisa apresentada pelo Le Monde mostra um aumento significativo no número de suicídios (pasmem!) por crianças francesas. Alguns acham que pode ser efeito da crise, mas é um fenômeno tão incomum, pra dizer o mínimo, que qualquer explicação agora é precipitada.

3) A artista francesa Joselyne Grivaud era uma fã da Barbie, mas ao contrário dos fabricantes do Lego, achava que o universo da boneca era muito bobinho, então ela resolveu alargar o universo barbiesiano e deu nisso.

4) A super Sil Falqueto, autora da ilustra linda desse blog, deu a dica da revista Bloc – literatura e arte infantil. Boooa, Sil!

5) E por último, a revista argentina de literatura infantil La Mancha, disponível no site Imaginária. Tem muita coisa legal por ali, mas lá no cantinho, no link músicas, você vê uma seleção de músicas infantis argentinas e foi ali que eu conheci e me apaixonei pela música da Mariana Baggio.

Bom, listei aqui cinco vezes em que me lembrei do Quintarola. Ou melhor, cinco vezes que eu me lembrei das vezes e que eu me lembrei. Com certeza, foram mais.

Inté!

_Cibele_

 
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