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terça-feira, 26 de maio de 2009

Maisa e o filósofo ou como banalizar a vida

Li esse texto sobre o caso da criança Maisa e o deixaria passar desapercebidamente se ele já não estivesse circulando por grupos de discussão sobre educação. Trata-se de um filósofo com alta graduação, polemista, autor do conceito de filosofia como desbanalização do banal, pragmatista que se orgulha da amizade de Richard Rorty. É exemplo da autoridade dos títulos e da própria filosofia como detentora de um conhecimento universal a respeito do mundo.

São tantas as minhas indignações com a irresponsabilidade do texto, que meu post inicial tinha 4 laudas, pontuadas em tópicos de argumentos e contra-argumentos. Por enquanto, vou ficar com a afirmação de que o sentimento da infância e por conseqüência o conceito de infância e os direitos da criança são construções históricas extremamente caros à nossa cultura.
_Cibele Carvalho_agora sim, se dando ao deleite das notas de viagem da Clau

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Separar e acolher. Defender e engolir. Misturar e confinar._ A Crise da Infância


Há algum tempo atrás, quando eu falava aqui sobre aversão a crianças, a Clau me pediu que falasse sobre crianças misturadas demais aos adultos. Em seguida, veio o episódio Maisa pra mostrar como a infância anda mesmo embolada à adultez*. Mais exemplos? A discussão sobre a maioridade penal, a erotização precoce das crianças, os desenhos violentos, saltinhos para meninas, trabalho infantil e prostituição infantil. Durante algum tempo, minhas aulas de filosofia eram na sexta-feira, um dia após um programa sanguinolento-policial da Globo que passa (va) depois da novela das oito. Não havia espaço para outro assunto: as crianças ficavam perturbadas com o que viam.

Tudo isso parece contradizer um outro fenômeno: a eminência da criança-hiper-infantilizada. A criança romântica, idealizada, assexuada e sem conflitos que vemos em alguns canais infantis e o pior, nos pátios, nas ruas, por todo lado. A infância confinada culturalmente (conceito bacana do Edmir Perroti), impedida de dialogar com a cultura adulta. A criança defendida pelos hiperpais.

Não há como negar a complexidade desses eventos e me parece muito reveladora a conclusão de Meurer em sua dissertação de mestrado (já indicada aqui em outra oportunidade) sobre a crise da infância. Por enquanto, essa explicação me satisfaz:

A práxis social não dá garantias da continuidade da infância. Por isso essa categoria vai ser transformada em uma espécie de “instituição da cultura”, quando sua espontaneidade e plenitude revertem-se em objeto de cálculo da indústria cultural. (...) Adorno e Horckeimer, num diagnóstico bem sombrio de nossa época compreenderam que o “exagero convencional” tem como correlato a “frieza emocional".


*Vale pensar porque temos nomes pra infância, a juventude e a velhice, mas não tempos nomes pra falar na condição adulta.
_Cibele _

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Demorou!

Maisa chega aos sete anos exposta a situações "constrangedoras e degradantes", é a manchete do uol.

Os leitores do além-mar conhecem esse fenômeno?

_Cibele Carvalho_

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Salpicadas


Imagem da artista contemporânea Laurie Lipton. Para ver a infância com os olhos da americana...(X).

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No caderno MAIS (acesso para assinantes folha e uol) da Folha de São Paulo de domingo, o incrível diálogo entre Sílvio Santos e Maisa em que ele, muito zeloso, a adverte que ela era feia no início de sua carreira. Em seguida a pergunta: o que você vai fazer quando tiver 10 anos e o público não ligar mais pra você?

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Aqui, disponível pela Biblioteca Digital da UFRGS, uma excelente dissertação de Flávio Roberto Meurer sobre a transformação da criança em atração midiática. Obviamente, disponível para consulta e não para comercialização.

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Mas como nem tudo são espinhos, aprendi com um brincante gente grande a fazer uma pipinha com aquele fio da vassoura piaçaba...uma coisa de uma poesia sem igual. Diante do meu espanto, ele deu de ombros: uê, eu fazia isso quando era criança. Prometo foto e passo a passo depois.

_Cibbele Carvalho_
 
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