Há algum tempo atrás, quando eu falava aqui sobre aversão a crianças, a Clau me pediu que falasse sobre crianças misturadas demais aos adultos. Em seguida, veio o episódio Maisa pra mostrar como a infância anda mesmo embolada à adultez*. Mais exemplos? A discussão sobre a maioridade penal, a erotização precoce das crianças, os desenhos violentos, saltinhos para meninas, trabalho infantil e prostituição infantil. Durante algum tempo, minhas aulas de filosofia eram na sexta-feira, um dia após um programa sanguinolento-policial da Globo que passa (va) depois da novela das oito. Não havia espaço para outro assunto: as crianças ficavam perturbadas com o que viam.
Tudo isso parece contradizer um outro fenômeno: a eminência da criança-hiper-infantilizada. A criança romântica, idealizada, assexuada e sem conflitos que vemos em alguns canais infantis e o pior, nos pátios, nas ruas, por todo lado. A infância confinada culturalmente (conceito bacana do Edmir Perroti), impedida de dialogar com a cultura adulta. A criança defendida pelos hiperpais.
Não há como negar a complexidade desses eventos e me parece muito reveladora a conclusão de Meurer em sua dissertação de mestrado (já indicada aqui em outra oportunidade) sobre a crise da infância. Por enquanto, essa explicação me satisfaz:
A práxis social não dá garantias da continuidade da infância. Por isso essa categoria vai ser transformada em uma espécie de “instituição da cultura”, quando sua espontaneidade e plenitude revertem-se em objeto de cálculo da indústria cultural. (...) Adorno e Horckeimer, num diagnóstico bem sombrio de nossa época compreenderam que o “exagero convencional” tem como correlato a “frieza emocional".
Tudo isso parece contradizer um outro fenômeno: a eminência da criança-hiper-infantilizada. A criança romântica, idealizada, assexuada e sem conflitos que vemos em alguns canais infantis e o pior, nos pátios, nas ruas, por todo lado. A infância confinada culturalmente (conceito bacana do Edmir Perroti), impedida de dialogar com a cultura adulta. A criança defendida pelos hiperpais.
Não há como negar a complexidade desses eventos e me parece muito reveladora a conclusão de Meurer em sua dissertação de mestrado (já indicada aqui em outra oportunidade) sobre a crise da infância. Por enquanto, essa explicação me satisfaz:
A práxis social não dá garantias da continuidade da infância. Por isso essa categoria vai ser transformada em uma espécie de “instituição da cultura”, quando sua espontaneidade e plenitude revertem-se em objeto de cálculo da indústria cultural. (...) Adorno e Horckeimer, num diagnóstico bem sombrio de nossa época compreenderam que o “exagero convencional” tem como correlato a “frieza emocional".
*Vale pensar porque temos nomes pra infância, a juventude e a velhice, mas não tempos nomes pra falar na condição adulta.
_Cibele _
Lia Menna Barreto 