sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A paternidade revisitada em Bambi 2


Bambi 2 não é exatamente uma continuação do Bambi de 1942. Ele aborda uma passagem obscura do primeiro filme que vai da morte da mãe de Bambi até quando ele reencontra o pai, já enamorado de Falina. Quem criou Bambi durante esse tempo e como, é o que mostra o Bambi de 2005.

O desenho começa com a mesma frase, a chave dos dois desenhos:
_Ela não vai mais estar com você. Venha filho!

Bambi segue o pai, que se vê dividido entre a sua função no bando_ proteger a matilha e a sua função paterna. Em conversa com o amigo coruja, (ave que por enxergar no escuro é considerada símbolo da sabedoria) aconselha-o a cuidar do filhote durante o inverno e a escassez de alimentos. Só na primavera é que ele deveria então concretizar seus plano de entregar Bambi a uma corsa que pudesse criá-lo.

No tempo dessa estação, podemos ver o esforço de Bambi para se identificar com a masculinidade, com o pai e portanto, seu esforço para crescer. Esforço empregado para mostrar que não é tão dependente a ponto de prejudicar o trabalho de pai. O desenho é um bom exemplo da mudança do paradigma da paternidade ao longo dos sessenta anos que separa o original da continuação. Aliás, se Bambi 2 fosse colado na passagem obscura de Bambi 1, a transformação seria tamanha que o personagem do pai seria muito pouco convincente e coerente. Embora ainda seja rígido e frio, ele está suficientemente humanizado para poder se modificar. E para melhor... Já a trilha sonora, piorou muito nos últimos sessenta anos, viu!
Além da pertinência da discussão sobre a paternidade, a temática recorrente pode ainda ser explicada por dois outros aspectos, um deles muito pouco romântico: 1) o aniquilamento do conforto materno como recurso importante para o estabelecimento de um conflito capaz de criar uma história e 2) o velho argumento do mercado_ será que se vendo nas telas os pais sentem-se mais motivados a levar as crianças ao cinema? Seria boa estratégia para aumentar o público? O público feminino já seria cativo? É uma hipótese...
Bom, deixo aqui meu carinho por todos os pais pela data de domingo e por dois em especial. O meu pai, leitor assíduo do Quintarola e o pai dos meus filhos.
Semana que vem, vou estar apertadíssima de costura, mas tentarei postar sobre O Rei Leão, pra ficar no registro da monarquia.

_Cibele_

2 comentários:

Paulo SPS disse...

Adorei o post, muito interessante. Quanto à homenagem no final, penso que os destinatários devem ter ficado muito felizes. Abraço.

Cibele Carvalho e Claudia Souza disse...

Hahahahaha...penso que sim, Paulo. Ainda mais se tratando de pais coruuujas que só vendo! : *

Cibele

 
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