segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Política, Infância e Gênero



Quando o Obama tomou pose como primeiro presidente negro dos EUA, bem no dia do aniversário da minha filha, escrevi um post pensando no que aquele dia representaria para o futuro das crianças.

Hoje não poderia ser diferente. Confesso arrependida, cometi o equívoco de colocar a minha filha na cama, antes que ela visse a primeira presidenta eleita desse país se pronunciando, um aceno promissor para o lugar da mulher (e das crianças do sexo feminino) nesse país. Mas o farei hoje. Por aqui.

Pensando em como a infância se relaciona com a política, para além da imprescindível reflexão sobre o projeto político para a infância e a educação de cada candidato, recorri à minha própria memória.

A ditadura, só vi nos livros didáticos; o Diretas-já, uma memória muito difusa. O que marcou a minha infância foi a inflação, as compras colossais no início do mês antes que o dinheiro minguasse nas mãos da minha mãe e os cálculos contorcionistas do meu pai para o ajuste da minha escassa mesada. Os candidatos pareciam sempre os mesmos e a desesperança era grande. Lembro ainda a emoção trepidando a voz da minha professora de português na quinta série, quando ela relatava a queda do muro de Berlim e com isso marcava as nossas memórias e tecia a trama dos nossos valores.
Na adolescência, contrariando meu pai, adotei um broche do PT na minha mochila, apelidada carinhosamente, Neide Candolina, famosa por essa homenagem. Nunca entendi direito porque sendo meu pai tão forte na minha formação, tomei caminhos tão diferentes nas minhas convicções políticas. Possivelmente, rascunho hoje, porque já naquela época comecei a desconfiar que a meritocracia tão defendida por ele, não lhe devolvia o que lhe era de direito, dado que sempre trabalhou muito, com uma inteligência rara e uma honestidade incansável. Havia alguma outra força atuando naquela realidade, que não a dedicação e a competência.
Por ver o que era uma quimera de adolescência ganhando contornos nítidos de realidade, ontem fui dormir mais tranquila. Talvez o mundo esteja mesmo mais justo e seguro para minha filha...

... E aproveito para pensar sobre a importância dos líderes na política, nas instituições e porque não, nas escolas.


Bom dia companheiras,

_Cibele_



4 comentários:

Silvia Falqueto disse...

Acho que nosso país amadureceu muito, e me orgulha muito ver que as meninas de hoje tem esse exemplo. Viva!

Cibele disse...

Apesar de essa idéia de progresso estar super fora de moda, essas bolhas de avanço nos enchem de otimismo, né Sil?

Tá linda a sua ilustra, pra variar...

Anônimo disse...

adorei o post e essa foto com as meninas de terreiro, Ci! beijos!
surya

Cibele disse...

Visita ilustre! Saudade docê, Su!
Beijos

 
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