quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Vik Muniz

O vídeo é em inglês, mas mesmo pra quem não domina a língua vale a pena de ser visto só pelas imagens - incluindo a dele, que é um charme ambulante =)

Vik Muniz é um artista brasileiro radicado em New York. No video, de 2003, ele sintetiza algumas das experiências que depois contará no livro Reflex - Vik Muniz de A a Z, lançado pela Editora Cosac Naify. Entre as quais o fato de ter comprado a passagem pros EUA com a indenização de um tiro que levou na perna ao separar uma briga entre dois homens na rua.

Prestem atenção às "pinturas de algodão". Parece deitar no chão cercada de crianças e ficar observando os desenhos das nuvens. E às "crianças de açúcar" - difícil coisa mais doce.
Divirtam-se.

Pra ver o video, cliquem AQUI. Depois pesquem a segunda parte no próprio Iutubi.


_Claudia Souza_ (ainda na série vou ali e volto já - fui comprar maracujá).

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Criaturas

Sabe aqueles desenhos de monstros que enchem a casa da gente quando as crianças (principalmente os meninos) têm tipo 5 ou 6 anos? Ou as salas de aula de Educação Infantil e Primeiras séries da Elementar? Aquelas criaturas estilo Star Wars, misturadas com aviões, prédios, naves espaciais... Sempre fui fascinada por elas. Adoro! São de uma potência expressiva e uma originalidade que dão gosto.

Então. Um grupo de ilustradores partiu dessas criaturas e fez isso.

_Claudia Souza_

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O Rei Leão




Leitores queridos, desculpem o sumiço. Fiquei apertadíssima de costura, dividida entre estudos e um trabalho novo que me apareceu. Além disso, o filme o Rei Leão estava disputado à tapa na locadora. Vim a saber depois, por ser tema de trabalho na universidade. De fato, o filme já foi minuciosamente deslindado em artigos de psicologia, sobretudo se comparado a sua referência literária, Hamlet e a hesitação em vingar a morte do pai, já que essa mesma morte é fonte de prazer infantil.

Não vou ousar seguir esse caminho aqui, por absoluta falta de conhecimento pra tanto, mas vou apenas frisar alguns aspectos que me chamam atenção. Tal como em Bambi, o Rei Leão trata do aspecto peculário da filiação. É um dado que pode ir da simples referência ao peso da projeção. Bom, enquanto falamos de referência, essa é bem vinda. Por aqui ou ali, vários são os textos em que o GPS vem sendo usado como imagem para um possível desnorteamento das jovens gerações. Apesar disso, o pequeno Simba me agonia quando resolve seguir o seu dever. O pai lhe diz: quando você me esqueceu, esqueceu-se de quem é. O herdeiro olha a sua imagem refletida na água e vê o próprio pai. É verdade que o rei/pai é um bom exemplo, que no fim tudo deu certo e que o novo rei salvou a savana. Mas ainda assim acho a história muito redutora do horizonte de possibilidades do humano. O pai é uma sombra, um fantasma, apesar de o Rei Leão ser o único desenho a mostrar o corpo morto de um dos pais. Embora recorrente, a morte de um dos pais (em geral, da mãe) é sempre sugerida: a mãe de Bambi, a mãe de Cinderela ou a mãe de Nemo. Sem querer divagar, mas já divagando, há um livro sensacional chamado Maneiras Trágicas de se Matar uma Mulher. Alguém devia escrever o Maneiras Disneynianas de se Matar uma Mãe.

Voltando ao filho de Mufasa...o tema é hamletiano, mas há alguma coisa faltando ali. Na obra de Shakespeare, Gertrudes, mãe de Hamlet, casa-se com Cláudio, irmão do falecido rei e pai de Hamlet. Quando luta pelo pai, de alguma forma, Hamlet está seguindo seu próprio caminho porque vai contra o desejo da mãe. Simba, por sua vez, nem sabe onde está seu desejo. Ele está fadado a sempre desejar o desejo do outro.

Por fim, me incomoda o papel destinado às fêmeas. Se é o grupo de fêmeas que não só luta ao lado de Simba para forçar Scar (o tio traidor) a abandonar o trono, mas se também são elas que salvam Simba de Scar e as hienas, porque é que elas obedecem a tradição e permitem a quase destruição da savana por Scar, enquanto esperam pelo macho herdeiro do trono?

Como diria Hamlet_ Ser ou não ser: eis a questão. (...) O resto é silêncio.


_Cibele_

***
Seguinte: Semana que vem a Clau taí. Bora todo mundo tirar a poeira, abrir as cortinas, botar pra quarar ao sol e tirar todo capim. O Quintal tem que estar bonito pra quando ela voltar, heim!


terça-feira, 11 de agosto de 2009

Museu do Brinquedo em Londres

Minha sócia foi a Londres e descobriu esta preciosidade: um museu do brinquedo feito a partir de uma antiga e tradicional loja de brinquedos inglesa do século XVIII, a Pollocks's Toy Shop.

A sede já é um espetáculo à parte - um conjunto de salas pequenas ligadas por escadinhas de aço contorcidas . E o acervo impressionante. Uma fascinante exibição de bonecas, carrinhos, casas de boneca, fantoches, marionetes, jogos de mesa e ópticos, brinquedos tradicionais e mecânicos. Ufa! Pra quem é apaixonado, o risco é de perder o fôlego.



_Claudia Souza_(viagens alheias, enquanto curto as minhas)

domingo, 9 de agosto de 2009

A escola do Era uma Vez

Foto: escolinha de bonecas no Museo del Giocattolo


O Museo del Giocattolo di Milano tem uma sessão inteira dedicada à Escola. Tem inclusive uma sala montada como sala de aula do século XIX. As carteiras, a cátedra, os quadros educativos na parede. Esparsos, alguns objetos desse contexto: a bolsinha da professora apoiada na sua mesa, a palmatória (terrível instrumento de punição de crianças desobedientes e/ou distraídas, que pode ser também vista no Museu Histórico Abílio Barreto), a maleta do estudante (incrivelmente feita de papelão, eu juraria que era de couro), a baqueta (varinha que os professores usavam pra indicar os temas e às vezes pra intimidar a classe), lápis, canetas estilo tinteiro, papéis, livros e cadernos antigos.

Durante a visita comentada, os operadores fazem com as crianças uma representação de como era ser aluno nos tempos dos nossos avós.
Experimentem ficar 2 minutos imóveis, com a coluna ereta e os olhos fixos.
Se alguma criança se move antes do término do jogo, é convidada a experimentar a palmatória (de mentirinha, claro). Com a ressalva de que, naquela época, se reclamassem da punição corporal em casa, eram punidas de novo pelos pais.
Tentem escrever com estas penas aqui.
O mata-borrão é a parte mais difícil.

No final, uma comparação com a escola atual. As crianças suspiram aliviadas. E as professoras suspiram também... cansadas. É muito mais difícil lidar com espíritos livres =)



_Claudia Souza_

Cuidados com a gripe suína ensinados pelo Cocoricó

De repente, o assunto teve de chegar às crianças. Mas que pelo menos seja de um jeito leve:

http://www.youtube.com/watch?v=E9KuiFIjX70

Cibele

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A paternidade revisitada em Bambi 2


Bambi 2 não é exatamente uma continuação do Bambi de 1942. Ele aborda uma passagem obscura do primeiro filme que vai da morte da mãe de Bambi até quando ele reencontra o pai, já enamorado de Falina. Quem criou Bambi durante esse tempo e como, é o que mostra o Bambi de 2005.

O desenho começa com a mesma frase, a chave dos dois desenhos:
_Ela não vai mais estar com você. Venha filho!

Bambi segue o pai, que se vê dividido entre a sua função no bando_ proteger a matilha e a sua função paterna. Em conversa com o amigo coruja, (ave que por enxergar no escuro é considerada símbolo da sabedoria) aconselha-o a cuidar do filhote durante o inverno e a escassez de alimentos. Só na primavera é que ele deveria então concretizar seus plano de entregar Bambi a uma corsa que pudesse criá-lo.

No tempo dessa estação, podemos ver o esforço de Bambi para se identificar com a masculinidade, com o pai e portanto, seu esforço para crescer. Esforço empregado para mostrar que não é tão dependente a ponto de prejudicar o trabalho de pai. O desenho é um bom exemplo da mudança do paradigma da paternidade ao longo dos sessenta anos que separa o original da continuação. Aliás, se Bambi 2 fosse colado na passagem obscura de Bambi 1, a transformação seria tamanha que o personagem do pai seria muito pouco convincente e coerente. Embora ainda seja rígido e frio, ele está suficientemente humanizado para poder se modificar. E para melhor... Já a trilha sonora, piorou muito nos últimos sessenta anos, viu!
Além da pertinência da discussão sobre a paternidade, a temática recorrente pode ainda ser explicada por dois outros aspectos, um deles muito pouco romântico: 1) o aniquilamento do conforto materno como recurso importante para o estabelecimento de um conflito capaz de criar uma história e 2) o velho argumento do mercado_ será que se vendo nas telas os pais sentem-se mais motivados a levar as crianças ao cinema? Seria boa estratégia para aumentar o público? O público feminino já seria cativo? É uma hipótese...
Bom, deixo aqui meu carinho por todos os pais pela data de domingo e por dois em especial. O meu pai, leitor assíduo do Quintarola e o pai dos meus filhos.
Semana que vem, vou estar apertadíssima de costura, mas tentarei postar sobre O Rei Leão, pra ficar no registro da monarquia.

_Cibele_

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Arqueologia doméstica

(Esse post vai especialmente para o Maurício J., que sugeriu aqui uma Frente de Liberação para os brinquedos esquecidos).

Que tal aproveitar as férias (no Brasil, o recesso) pra fazer junto com as crianças um pouco de arqueologia doméstica? Remexer armários e cantos procurando aqueles objetos interessantes que, de tão bem guardados, quase viraram fósseis? Mas que podem ser ainda usados
a) em brincadeiras
b) em jogos de construção
c) como arquivo da história familiar... e por aí vai.

... Caso não possam mais ser usados em família, podem ser trocados, (um bazar de trocas desses objetos pode ser divertido), doados ou, se realmente inúteis (o que é raríssimo) simplesmente jogados fora, pra liberar espaço pras novidades. É claro, fazendo isso com muito critério. O lixo atualmente é um dos pontos mais cruciais pra quem acredita que a Terra terá um futuro. Portanto há-que considerar que os objetos, como os seres vivos, têm um nascimento, uma vida e uma morte, três etapas que podem - ou não - ser significativas dependendo de como nós as tratamos.

Costumava fazer isso todas férias quando Davi era pequeno. Uma vez a gente encontrou uma coleção de brinquedinhos de kinder ovo dele. Não deu outra: virou uma moldura de um quadro. Há pouco tempo a Paula me mostrou um trabalho que fez com a meninada da escola do filho dela assim, moldura de kinder ovo. Vejam que bela sacada:

No centro, obras das crianças...


_Claudia Souza_ (contando com a presteza da sócia na entrega dos Pra Casas enquanto viaja)
 
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