quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Termina assim o texto "Velhos Brinquedos" de Walter Benjamin, sobre a exposição de brinquedos do Märkische Museum em 1928: “Evidentemente esse tipo de brinquedo (quebrado, rasgado, estragado) não se encontra na exposição. Mas uma coisa devemos ter sempre em mente: jamais são os adultos que executam a correção mais eficaz dos brinquedos _sejam eles pedagogos, fabricantes ou literatos_ mas as próprias crianças, durante as brincadeiras. Uma vez perdida, quebrada e reparada mesmo uma boneca principesca transforma-se numa eficiente camarada proletária na comuna lúdica das crianças.”

Lembrei desse parágrafo, logo que me deparei com a boneca da foto, propriedade da minha afilhada e quinteira phd, Isadora. Soube que a boneca quebrou o braço e foi tratada pela dona. O nome da boneca? Cada dia ganha um, depende da brincadeira.

É muito legal o trabalho dos Hospitais de Brinquedos, mas ainda não tinha visto reparo mais bonito. A esse olhar, à forma própria de agir das crianças é que chamamos cultura da criança e nela, inevitavelmente, os adultos são forasteiros.
_Cibbele Carvalho, cobrindo a sócia Clau, que hoje ainda pousa em terra brasilis (êba!)_

4 comentários:

Anônimo disse...

Legal este link que você fez com a cultura da criança. Me ajudou a entender o post anterior sobre o inventário. Na questão do toque da mortalidade, do trazer a coisa para o entendimento e para o meio. Esta aí precisou do toque da mortalidade para ter em seguida o toque da vivicidade, ou seja, ela saiu do mundin de plástico para o dos enfermos urgentes do quintal da Isa e, em seguida, banhou-se de cultura, de esmalte e de tipóia, transformando-se então em um legítimo brinquedo. Beijo, J.

Cibbele Carvalho disse...

Bem lembrado! Tem o esmalte!

Duas coisas eu achei um barato no "tratamento" da Isa: O fato de que ela não apagou a história da boneca. Ela não colou a boneca para que voltasse a ser como antes, mas de certa forma, acolheu a fratura. Outra coisa legal, é que até mesmo o conserto foi feito dentro da perecividade do imaginário. As crianças não se preocupam em fazer durar, por isso mesmo, o gesso pode ser de papel.

Claudia Souza disse...

Uma vez, no CLIC, fizemos uma oficina de reparaçao de brinquedos estragados. Era essa mesmo a logica: ou ofereciam um outro sentido à falha, à falta, ao "estrago", ou praticamente reconstruiam a coisa, criando um outro objeto, adicionando elementos totalmente inusitados. Lembro que o Haroldo, professor de Artes que acompanhava a brincadeira e oferecia algum suporte técnico, chegou a comentar comigo que tinha aprendido muito sobre a complexidade nessa experiencia. A Cultura da Criança é isso.

QUINTEIRAS disse...

Genial essa oficina, Clau! Grande idéia!

 
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