sábado, 21 de fevereiro de 2009

Escolas quintais: Te-Arte


Ao fim do ano passado, combinamos com o Garrocho, do blog Cultura do Brincar, uma postagem conjunta sobre escolas-quintais, que ele introduziu muito bem aqui. Se o termo “de-fundo-de-quintal” é utilizado quase sempre pejorativamente, no sentido posto passa a ser um adjetivo de grande qualidade. Vou me dedicar a descrever sinteticamente a escola Te-Arte, uma das experiências de escolas-quintais, instalada na cidade de São Paulo e criada pela educadora Therezita em 1975.

Enquanto muitas escolas se convertem ao digital e se vão transformando na vanguarda tecnológica do atraso pedagógico, a Te-arte permanece pioneira e determinada no recurso à simplicidade.”_afirma José Pacheco no prefácio do livro De Volta ao Quintal Mágico da jornalista e professora da USP Dulcilia Schroeder Buitoni.

O espaço da Te-Arte, descrito minuciosamente no livro que utilizo como fonte, é um quintal irregular, com verde por toda parte. É um lugar onde as possibilidades não são necessariamente intencionais, mas precisam ser descobertas. Therezita afirma que é um lugar para se aprender a habitar o próprio corpo, uma vez que a identidade passa profundamente pela memória corporal. Há contato com a natureza, espontaneidade na condução das atividades e inexistência de turmas.

A arte permeia tudo e não está a serviço da educação. A arte existe e pronto. A vivência é multicultural: vai desde a pinhata mexicana, às danças colombianas e elementos da cultura judaica. Os instrutores não são formados pelas universidades de pedagogia, mas são profissionais com “olho” para o infantil, para o ser no presente, no tempo de cada coisa, para o brincar.

Essa aparente anarquia carrega consigo muitos limites. É o limite concreto, da prórpia experiência. Por isso, as crianças do Te-Arte aprendem a brincar com o fogo e a respeitar o limite dessa relação.

Essas e outras experiências são descritas por Dulcilia e nos dão a impressão de que realmente há um conhecimento perdido e muito mais óbvio sobre o educar do que as elucubrações técnicas a que nos submetem a visão generalizada sobre um infantil simplório e muito menos complexo do que ele é na realidade. Um retorno à complexa simplicidade, à realidade. Um quintal de verdade e não um lugar que se parece com. Mais pra ser do que pra parecer.

E agora, Clau e Garrocho, quem pega a bola?

: )

_Cibele Carvalho_

6 comentários:

Gal disse...

Li o olivro e fiquei apaixonada pelas experiencias.

Eliane Greghi disse...

Maravilhoso! impressionante...como gostaria de ter vivido tais experiências na infância... já visitei o local e dei vários destes livros de presente..rss. Grata por este post!

Cibele disse...

Oi, Eliane, oi Gal, contem pra gente o que vocês viram. E que bom que vocês gostaram do post!

ariana disse...

Li o livro e fui a Te Arte... é um encanto.... a Therezita, nossa é uma pessoa maravilhosa, e as práticas desenvolvidas nas manhã da Te Arte são pura pedagogia humanística, cidadã, orgânica, e todos os adjetivos que podemos encontrar pra definir tanto amor pela infância e pela educação de crianças.. AMEIII

Anônimo disse...

Adorei o post e vou ler o livro!
Sou uma apaixonada pela educação!
Não sei se existe esta informação no livor, mas me tirem uma preciosa dúvida:
Quando escreve no texto Cibele: " Os instrutores não são formados pelas universidades de pedagogia, ..." como é que ficam as questões legais e burocráticas em não serem pedagogos?
Agardeço muito a resposta, pois é meu caso (não ser pedagoga e sim psicóloga) e querer abrir uma escola diferenciada.
Abs
Ana Paula

Carol Fregatti disse...

Boa tarde, Cibele.

Faço parte de um programa de TV infantil com cunho ambiental, que visa conscientizar as crianças da importância de preservar o planeta. Para isso, gravamos em escolas e gostaria de obter o contato e localização da escola Te-Arte. Se puder ajudar, ficarei muito grata.
Obrigada.
Att;
Carol

 
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